A morte de Umberto Eco, em decorrência de um câncer, chocou o mundo na semana passada. Aos 84 anos, o escritor, filósofo, professor e ensaísta se preparava para lançar mais um trabalho de destaque, mas não teve tempo para acompanhar o provável sucesso de "Pape Satàn Aleppe", uma compilação realizada através da revista "L'Espresso", onde ele escrevia a coluna "Le Bustine de Minerva", desde 2000.

No entanto, seus leitores vão esperar pouco tempo para poder contemplar o livro. Previsto para ser lançado somente em maio, "Pape Satàn Aleppe" chegará às livrarias italianas nesta sexta-feira, publicado pela editora La Nave de Teseo (O Navio de Teseu), fundada pelo próprio Umberto Eco, em sociedade com amigos e colaboradores.

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Se o título remete ao início do canto VII do Inferno da Divina Comédia de Dante Alighieri, o título para o escritor define bem o caos em que vive a sociedade moderna.

Ao lado de outros escritores, Umberto Eco abandonou no ano passado a editora Bompiani, que havia sido comprada por um grupo pertencente a Silvio Berlusconi. Por conta do imbróglio, Eco e seus companheiros de #Literatura se uniram para fugir do domínio dos Berlusconi. La Nave de Teseo trata-se de uma referência mitológica e aborda o paradoxo, pois Teseu foi enviado para matar o Minotauro, ou seja, o nome da editora utiliza todo estigma envolvendo o espírito contestador do escritor. 

O funeral de Umberto Eco foi realizado nesta terça-feira, em Milão, no pátio do Castelo de Sforzesco, com caráter laico e breve, seguindo as orientações deixadas pelo autor, já ciente de que não teria muito tempo de vida.

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Centenas de pessoas acompanharam o cerimonial, com a presença dos ministros da Educação e da Cultura, dos prefeitos de Milão e Turim, e do premiado ator e diretor Roberto Benigni, entre outras personalidades.

Breve biografia

Umberto Eco nasceu na cidade de Alexandria, ao norte da Itália, a 5 de janeiro de 1932. Além de escritor, filósofo e ensaísta, ele se destacou como acadêmico e linguísta, lecionando em universidades de grande prestígio, como as norte-americanas Yale, Harvard e Columbia. O romance "O Nome da Rosa", de 1980, é considerado seu maior sucesso, com mais de 30 milhões de cópias vendidas, além de ter sido traduzido para 40 idiomas e adaptado para o cinema. Eco também escreveu "O Pêndulo de Foucault” (1981), "Baudolino" (2000) e "O Cemitério de Praga", (2010), entre outros romances e ensaios. Atualmente, ele era diretor da Escola Superior de Ciências Humanas na Universidade de Bolonha, na Itália. #Entretenimento #Livros