"Foi um dia de intensa atividade, atribulada pelos problemas internos do lar. Antes dele, o tempo avançava de tal forma, que mudava do amigo da experiência, para o carrasco da frustração. E tal como no espetáculo acompanhado, ambas as facetas do tempo se mostraram diante dos olhos, tanto do espectador atrasado como dos jovens promissores no palco".

Nesta pequena série de quatro textos, iremos falar sobre as peças de teatro da 2º Mostra de Verão OST, organizada pela Oficina Social de Teatro nos dias 24 e 25 de Fevereiro; e nos dias 02 e 03 de Março no teatro Eduardo Kraichete, em Niterói. Ainda haverão mais duas apresentações, marcadas para os dias 16 de Março, e 13 de Abril, às quais traremos mais informações em breve.

Publicidade
Publicidade

Seguindo a ordem dos espetáculos lançados, começaremos com o Despertar da Primavera, dirigido por Amaury Lorenzo.

O Passado falando do Presente

"Enquanto tateia o escuro buscando um local no alto para acompanhar o espetáculo, os artistas se mostram entre o nervosismo e a superação, encarnando em seus personagens, assim como em seus infortúnios de uma época cuja pureza e a perversão eram heterogêneas, mas eram forçadas a se misturar."

Uma das características mais comuns e interessantes de boa parte das peças de teatro é a desconstrução de cenas, como um convite aos espectadores para que montem a ordem dos acontecimentos adequadamente sem desviar o olhar do palco. Em O Despertar da Primavera, este recurso é bem explorado para denotar o principal fator que se entrepõem entre todos os seus personagens - o tempo, a liberdade e a perdição.

Publicidade

Da castidade inconsciente aos desejos sórdidos escondidos nos grandes encargos da sociedade, acompanhamos histórias tristes que poderiam ter seus destinos levemente mudados por uma razão mais metódica. E o elenco, cuja maioria estava em sua primeira apresentação diante dos palcos, mostraram como o tempo pode ser um aliado valoroso para o crescimento, ou inquisidor diante às cobranças.

Transformando o Tempo

"Sob as batidas ritmadas em seis passos e dois estrondos, como em uma marcha que grita pelo socorro da alma, as estrofes de Tempo Perdido começam a surgir tímidas, fora do ritmo bem imposto pelos passos firmes. E assim como o tempo e a experiência auxiliam a enxergar as simetrias, os passos e as vozes se tornaram um só. Talvez tardio para o momento, mas nunca para os próximos. Pois assim como ele avança, aqueles que operam sob o tempo também podem avançar."

O Despertar da Primavera foi um grato início para a Mostra de Verão OST. Que como se mostraria nas apresentações seguintes, ficariam ainda melhores. #Entretenimento #Rio Cultura