Produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, “A Bruxa” deu ao estreante em longas metragens, Robert Eggers, o prêmio de melhor diretor no Festival de Sundance. O prêmio já rendeu ao #Filme um bom status, porém o marketing com muitas notícias e posts em redes sociais exaltando o quanto o filme é aterrorizante, algo confirmado até pelo  escritor Stephen King em seu Twitter, causaram uma alta expectativa nos fãs do gênero.

Para se ter uma boa experiência com o filme, porém, deve-se esquecer todo este ótimo marketing, pois este está longe de ser assustador ou de causar pesadelos em sua audiência.

A história se passa em 1630, na Nova Inglaterra, uma área geográfica historicamente importante dos Estados Unidos.

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O filme se diz baseado em contos folclóricos da região. Ao serem expulsos de sua comunidade por um motivo que não fica muito claro, William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie, a Lysa Arryn de Game of Thrones) se mudam com seus cinco filhos para um local afastado próximo a uma floresta inabitada. Quando a filha mais velha, Thomasin (Anna Taylor-Joy), perde o irmão mais novo próximo à floresta, situações sinistras passam a assolar a família.

Algo interessante na trama é a relação entre o fanatismo religioso e o sobrenatural. O casal William e Kate cria os filhos à base da penitência constante, mostrando às crianças que eles nasceram do pecado e devem viver como se precisassem se redimir deste pecado o tempo todo.

A mitologia em torno da trama é sinistra, porém Robert Eggers representa os fatos de forma simplista, utilizando a sugestão e a omissão, não relevando os acontecimentos, deixando muitas vezes que o espectador imagine a pior parte da situação, se opondo assim aos filmes contemporâneos do gênero, que abusam dos banhos de sangue e cenas violentas.

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Ele cria com sua câmera uma atmosfera fúnebre, utilizando uma fotografia cinzenta, filmando a floresta como se as árvores fossem ganhar vida a qualquer momento, se aproveitando da escuridão à luz de velas dentro da casa da família para criar um ambiente mórbido. Crianças somem, a colheita não é bem sucedida e várias outras situações mostram que há algo de sobrenatural acontecendo naquele local. Porém, nada disso é o suficiente para aterrorizar o espectador.

A representação de todos estes fatos “sinistros” não é feita de forma a causar tensão ou medo no público. As cenas são por muitas vezes dramáticas e a escolha final da jovem Thomasin surpreende, mas não convence.

Por fim, “A Bruxa” poderia ser classificado como um suspense ou até um drama com enredo sobrenatural e é um caso claro de que o marketing pode vender um filme de forma errada, criando grandes expectativas e causando decepção.

 A Bruxa

Título Original: The Witch – A New-England folktale

Classificação: 16 anos

Duração: 1h32min

Direção: Robert Eggers

Roteiro: Robert Eggers

Elenco: Anna Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie

Distribuição: Universal Pictures #Entretenimento #Cinema