"O calor intenso daquele final de tarde deixavam qualquer caminhada agoniante. E enebriado pela tristeza, os passos parecem se tornar mais pesados, em um sinal para que simplesmente pare e não encare a vida como ela é. Ainda assim, o caminho é realizado, pois compromissos desconhecem justificativas infundadas, e que podem mostrar muito mais do que qualquer problema corriqueiro do dia a dia."

Seguindo nossa cobertura da 2º Mostra de Verão OST realizada em Niterói, falaremos hoje do espetáculo realizado no dia 25 de Fevereiro, A Cidade das Donzelas, dirigido por Érika Ferreira. A série de apresentações ainda seguiu na semana seguinte com "Penna em Dois Atos", e "Cruel", os quais você verá maiores detalhes de como foi em breve.

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Se achou interessante, mais dois espetáculos serão realizados nos dias 9 de março e 13 de abril, respectivamente "Fragmentos do Real", e "A Noite Pestilenta". 

Uma realidade distante, mas bem próxima

"As luzes avermelhadas e amareladas dão início ao espetáculo, e das pausas marcadas pelo triângulo musical, e a marcha exaustiva representadas pelos atores canavieiros, é impossível não se identificar com o peso do dia a dia nas costas. E do calor ofegante daquele dia, que complementava de forma indireta o espetáculo, o suor exaltado pela canção dos canavieiros levariam a um rumo inesperado."

A Cidade das Donzelas retrata o dia a dia de um vilarejo fictício onde as mulheres são minoria em um ambiente dominado por trabalhadores da cana. Embora o tema seja pouco recorrente nos ambientes urbanos, comunidades afastadas dentro do Brasil apresentam vários dos traços retratados no espetáculo.

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E a parte mais surpreendente, é que vários destes elementos podem ser muito mais próximos do cotidiano de muitas pessoas.

À parte dos problemas reais, as situações retratadas em Cidade das Donzelas tem forte peso para os espectadores, desde os elementos cenográficos, até a iluminação e a música. Este último ponto merece o seu destaque e primor: todo o arranjo musical, desde as canções conhecidas da cultura brasileira, até mesmo um Haka dos Maori em uma cena fortíssima, foi realizado pelo elenco, cuja maior parte dos atores estavam no início de seus estudos teatrais.

Um Pouco de Esperança

"Se antes a fortaleza estava abalada por circunstâncias frívolas, a Geni e o Zeppelin e uma tocante Romaria transformaram o espetáculo numa clara reflexão sobre a maneira com a qual deve se levar a vida. Superar as próprias dificuldades, ou não se sentir vítima delas, é o suficiente para dar os passos que se precisa."

A Cidade das Donzelas foi uma grata experiência do que o teatro pode ser para seus espectadores.

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Do riso ao choque, da alegria à tristeza, e mais do que todas elas, as lições que podem ser retiradas, todo bom espetáculo pode ser a porta de entrada para novas possibilidades, seja no ambiente artístico ou em qualquer outro. 

O que seu elenco conseguiu mostrar na excelente caracterização de seus personagens, é que há sim possibilidade de mudança, mesmo que pouca, superando suas adversidades. #Entretenimento #Rio Cultura