A Festa Internacional Literária de Paraty, em sua 14ª edição, já conta com um nome de enorme prestígio internacional para o festival deste ano. Segunda a organização da Flip, a bielorrussa Svetlana Alexievich estará presente no prestigiado evento, que ocorre entre dias 29 de junho e 3 de julho, na cidade carioca. A escritora e jornalista venceu em 2015 o Prêmio Nobel de Literatura e vem ao Brasil para divulgar "Vozes de Chernobyl" e “A guerra não tem rosto de mulher”.

Segundo a editora "Companhia das Letras", através de seu blog, a obra de Svetlana Alexievich tem previsão de lançamento para abril, data que marca os 30 anos da tragédia nuclear de Chernobyl, ocorrida no norte da Ucrânia.

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No final de abril de 1986, um reator explodiu, causando o que é considerado o maior desastre desta espécie da história. A nuvem radioativa devastou a região, praticamente decretando a morte da cidade que abrigava a usina. Até hoje, pessoas que tiveram contato com a radiação sofrem com os efeitos colaterais. Fauna e flora foram dizimados pelos detritos lançados no ar e que se infiltraram no solo.

A escritora bielorrussa lançou a obra em 1997, após coletar entrevistas e realizar um minucioso trabalho para esmiuçar os detalhes do acidente nuclear. O trabalho, que durou aproximadamente 10 anos para ser concluído, ainda sofreu censura em na Bielorrússia antes de ganhar o mundo. Até agora, Svetlana Alexievich não chegou a publicar obras no Brasil, e "Vozes de Chernobyl" marcará sua estreia no país, agora em abril.

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O Prêmio Nobel prestigiou uma obra de não-ficção apenas pela quinta vez em sua trajetória. O último a receber a honraria foi o estadista britânico Winston Churchill - mais famoso por sua atuação durante a Segunda Guerra Mundial - do que propriamente por sua obra literária. Ele venceu em 1953. Além dele, Theodor Mommsen, em 1902, Henri Bergson, em 1927 e Bertrand Russell se destacaram por #Livros de não-ficção.

A escritora discreta e sem medo da repressão

Svetlana Alexievich destaca-se por dissecar sem medo todas as questões envolvendo a extinta União Soviética. Durante a Flip, ela lançará “A guerra não tem rosto de mulher”, sobre os conflitos da Segunda Guerra Mundial e o papel das mulheres neste duro período. A bielorrussa também tem em seu currículo "Tempo de Segunda Mão" e "O Fim do Homem Soviético". Nascida na Ucrânia, a 31 de maio de 1948, Svetlana Alexievich ainda jovem mudou-se para a Bielorrússia, onde estudou jornalismo. Suas críticas ao regime soviético a levaram para uma espécie de exílio, com passagens pela França, Alemanha, Suécia e Itália.  #Entretenimento #Literatura