A organização da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) confirmou que a poeta Ana Cristina Cesar será a homenageada da edição deste ano. Segundo os promotores do prestigiado festival literário, as contribuições da autora para o desenvolvimento da cultura brasileira são de suma importância para que a chamada "geração da poesia marginal" tenha seu valor devidamente reconhecido no Brasil e no mundo. O evento acontece entre os dias 29 de junho e 3 de julho, em Paraty. No ano passado, o escritor modernista Mário de Andrade foi o escolhido pela Flip para ter sua obra "dissecada".

Ana Cristina Cesar, nascida a 2 de junho de 1952, no Rio de Janeiro, estudou na Inglaterra e foi também tradutora. Aos 19 anos, entrou na Faculdade de Letradas da PUC-RJ.

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A escritora e professora cometeu suicídio com apenas 31 anos de idade, ao saltar da sacada do prédio onde morava com os pais, no bairro de Copacabana, em 29 de outubro de 1983. Antes de se matar, a poeta deixou seus trabalhos e artigos aos cuidados de Armando Freitas Filho, melhor amigo e confidente, que ficou incumbido de administrar seu legado literário. Posteriormente, em 2008, o acervo da autora passou para os cuidados do Instituto Moreira Salles.

Segundo os organizadores da Flip, ao homenagear Ana Cristina Cesar, o trabalho dela continua em evidência e segue a linha do evento em destacar autores influenciados pelas obras da poeta carioca, como Ana Martins Marques, Bruna Beber, Angélica Freitas e Mariano Marovatto. Em 1982, "A Teus Pés" foi celebrada como uma obra magnífica, de uma escritora sem medo de expor seus fantasmas e anseios.

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Os trabalhos póstumos, primeiro organizados por Armando Freitas Filho, e depois pelo Instituto Moreira Salles, têm apelo não somente no Brasil, mas como em todo mundo.

Além de incentivar novos autores, que tiveram Ana Cristina Cesar como um expoente libertador e criativo, beirando o anárquico, a homenagem da Flip relembra como o trabalho da poeta carioca foi valoroso no início da década de 1980. Escritores como Caio Fernando Abreu, Marcelo Rubens Paiva e Reinaldo Moraes começaram a despontar nesta época, com um caráter muito contestador e ousado, diante de um cenário político brasileiro bastante conturbado, por conta do regime da Ditadura Militar#Entretenimento #Livros #Literatura