A Grécia, assim como o Brasil, possui alguns feriados bastante significativos dentro de sua cultura popular, como, por exemplo, o dia 25 de março, que é o Dia do Não ou da independência grega frente ao domínio turco; o dia da Virgem Maria e, muito provavelmente, a Páscoa, que no calendário grego, e principalmente para o povo, é o feriado mais emotivo. Feriado esse que é alusivo não só à morte do Cristo no madeiro, mas, primordialmente, a sua ressurreição, ou seja, a Páscoa na Grécia assinala a transição do inverno para a estação da primavera.

A Páscoa grega é celebrada com uma semana completa de festividades – daí o título semana santa, onde o povo daquele país chama de Boa Sexta-Feira, Domingo de Páscoa, e Segunda-feira de Páscoa, sendo feriados nesses dias.

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Alguns podem estar se perguntando: “mas a Páscoa já não aconteceu no Brasil?” Sim, só que os ortodoxos gregos obedecem ao calendário Juliano, que é diferente do calendário do restante do mundo ocidental, a saber, o Gregoriano. 

A atmosfera na Grécia durante a Páscoa é algo completamente mágico e diferente, pois a sexta-feira se inicia com meninas e mulheres jovens de várias localidades no país, decorando o que eles chamam de Epitáfio, ou uma réplica do Cristo adornado de flores. Após isso, o povo marcha pelas ruas dos vilarejos e bairros das cidades em procissões intituladas de “O Epitáfio Massa", com direito a músicas e bandas acompanhando os cortejos. É algo que, no Brasil, lembra as procissões do interior de Minas Gerais e Goiás. 

Em alguns locais são queimados bonecos do apóstolo traidor, Judas Iscariotes.

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Na maior ilha grega, Creta, a Boa Sexta-Feira é tida como um dia triste, sendo as bandeiras gregas muito comuns nos lares, hasteadas a meio mastro, mas isso não é só em Creta, pois a prática também é copiada em todo o país como uma forma de luto pela morte do filho do Deus Todo-Poderoso.

Já o sábado de Páscoa é denominado de "Ressurreição de Cristo", onde, desde a manhã, se prepara um jantar com uma espécie de deliciosa sopa, a maghiritsa. Os fiéis começam a reunir-se nas igrejas ortodoxas e praças antes das 23h, carregando consigo velas brancas. Um pouco antes da meia noite, todas as luzes das igrejas são apagadas para simbolizar as agruras que o Cristo teve que aguentar firme por ocasião de sua passagem através do submundo dos mortos.

Exatamente à meia-noite, o padre surge com uma vela na mão, entoando as seguintes palavras repetitivamente: "Autos to fós”, que em grego é "esta é a luz." A vela do clérigo é chamada de “A Santa Vela", que como em um passe de mágica vai fazendo com que as demais velas dos presentes e dos vizinhos a localidade, possam ir sendo acesas.

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A praça inteira fica iluminada pela luz das velas, caracterizando o momento mais importante do ano.

Os tambores, fogos de artifício e os sinos das igrejas proclamam a meia-noite, a ressurreição. Tudo é mágico e envolvente para quem presencia a cena. O povo saúda o ocorrido com a frase: "O Christós anésti ", traduzindo, “Cristo ressuscitou”, e a resposta em coro é: "Alithós anésti ", isto é, “Ele verdadeiramente ressuscitou”. 

Cada um então volta para o seu lar, para comer a sopa preparada desde a manhã, mas antes de entrar no lar, se faz o sinal da cruz no ar com a fumaça da vela acima da porta. Os mais devotos acendem uma vela dentro da casa próxima a um ícone ortodoxo, vela essa que fica acessa durante todo o ano, e caso a chama perdure, isso é sinal de que será um bom ano. #Curiosidades #Religião #Comportamento