‘Como gostais’ ou ‘Como quereis’ são duas traduções possíveis da peça ‘As you like it’ de Shakespeare, que estou atualmente adaptando para o formato de um romance destinado ao público jovem.

AS YOU LIKE IT pertence ao grupo de peças designadas por comédias, embora o termo comédia não possa ser comparado ao que o cinema ou mesmo o #Teatro moderno chamam por esse nome. Engloba, além de situações cômicas, aventuras românticas e contextos morais, recheadas de reflexões e personagens interessantes, vívidos e até modernos, não no sentido meramente comportamental, mas por uma inquietação e certo nervosismo de atitudes que reconhecemos como atuais. Não é a toa que Shakespeare continua sendo adaptado para cinema constantemente.

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Por isso, culturas muito diferentes da inglesa têm procurado absorvê-lo de alguma forma e Kurosawa confirma essa hipótese.

Há uma universalidade de caracteres impressionante. Tal envergadura fica patente em suas obras maiores, nas grandes tragédias conhecidas por todo o mundo. Mas, mesmo nas obras “menores”, se é que se pode dizer assim, a complexidade dos elementos envolvidos faz com que elas se elevem de simples entretenimento, como eram de fato considerados à época da sua produção, para se transformarem em marcos culturais, como é o caso dessa criação saborosa, intitulada As you like it.

Como disse anteriormente, essas comédias nem sempre são de fato feitas somente para rir, como uma comédia atual. A Tempestade, uma peça tardia, está colocada entre as comédias e parece mais um testamento filosófico do autor, como foi notado por alguns.

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Mas há nela algumas passagens engraçadas de fato, com o monstruoso Caliban. E as Comédias diferem das Tragédias, como nem poderia deixar de ser, pelo final. São desfechos felizes, verdadeiros “happy ends”, quando os conflitos se harmonizam satisfatoriamente. E isso se dá sem perda de envergadura. E nisso As you like it não foge à regra… Existem poucas passagens verdadeiramente cômicas, no sentido debochado do termo. Mesmo o bobo da corte, parente próximo do famoso bobo do Rei Lear, nos parece mais um pensador da condição humana, vista através de alguém distante dos paradigmas da sabedoria. Faz pensar, provoca reflexões. E é interessante considerar como isso soava na época de sua primeira montagem, quando Shakespeare era apenas um autor de diversões populares e não havia sido escrito sobre ele nenhum estudo erudito. Essa combinação de um entretenimento agradável, como uma qualidade artística de alto nível, alcançou um equilíbrio que depois dificilmente foi superado. #Europa #Arte