Cinco jovens alugam uma casa no campo para passar o feriado. E são brutalmente assassinados. Não, esse não é o final do filme, é o começo. Condado Macabro não esconde que usa e abusa dos clichês, pelo contrário, deixa bem claro que é um temporão de filmes como O Massacre da Serra Elétrica, Sexta-feira 13 e O Dia das Mães. Mas um temporão à altura de seus homenageados, cheio de sangue, sustos e boa técnica.

Filme de estreia dos diretores Marcos DeBrito e André de Campos Mello, e rodado em Paranaíba, Mato Grosso do Sul, Condado mistura estilo gore (sangue e pedaços de corpos pra todos os lados) com um humor negro que agradaria até mesmo o abominável dr.

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Phibes, e mais uma ou outra nojeira bem colocadas. A narrativa alterna momentos atuais com flashbacks e, aos poucos, vai mostrando ao espectador o que aconteceu. O resultado é uma produção nacional bem feita nesse gênero cinematográfico ainda pouco explorado no país, o terror.

Mas o terror, nesse caso, possui um diferencial: o carisma brasileiro. Com ou sem clichês, Condado é diferente porque é brasileiro. E isso vai além dos cenários e do idioma falado; é o elenco que dá o toque final. Os personagens, com suas falas e atitudes, quebram a caracterização (mesmice) norte-americana dominante no gênero homenageado. Posto isso, fica até mais interessante observarmos em Condado as horrorosas referências, algumas óbvias, outras, mais sutis.

Carnificina pouca é bobagem: o roteiro virou livro. Adaptado pelo próprio DeBrito, que também foi o roteirista do longa, Condado em páginas não causa tanto impacto como na tela, mas prende a atenção de quem o lê.

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Como no filme, as narrativas se entrelaçam para formar a história, só que agora é possível sabermos um pouco mais sobre o estado de espírito dos personagens, algo que as imagens não permitem.

Embora a escrita detalhista entregue que o livro foi, outrora, um roteiro, isso não chega a comprometer a leitura, e a história se mantém fiel ao filme. A intenção inicial do autor era proporcionar ao leitor a sensação de estar assistindo Condado; para isso, DeBrito usou recursos como intervenções gráficas e erros de grafia, que simulam cenas cortadas, frames faltando, e a estética "suja" e debochada do filme. E o livro se transformou em clichê versão literária.

Condado Macabro esteve em cartaz no final de 2015, e agora pode ser assistido pelo sistema vídeo on-demand ou nas plataformas digitais. O DVD deve ser lançado até o meio do ano. No elenco estão Leonardo Miggiorin, Bia Gallo e Larissa Queiróz, entre outros. O livro tem 158 páginas, foi lançado pela Editora Simonsen, e custa R$ 34,90. Em tempo: a palavra condado, cujo uso não é comum no Brasil, é um clichê norte-americano. E foi colocada no título para simular uma adaptação duvidosa de algum título em inglês. #Entretenimento #Cinema #Livros