Londres, 2016. Bill Pope (Ryan Reynolds), agente da CIA, está em uma missão. Mais uma vez, é algo complicado e o futuro da humanidade depende de seu êxito. A CIA o acompanha de perto e seus inimigos também. Mesmo assim o agente é capturado e morto pelo inimigo. O chefe da CIA  em Londres, Quaker Wells (Gary Oldman), quer saber o que Pope havia descoberto até então, e apela para o neurocirurgião dr. Franks (Tommy Lee Jones). O médico desenvolve há dezoito anos um programa de transferência de memórias de uma pessoa a outra. O processo, entretanto, é experimental e nunca foi testado em humanos. A cobaia humana escolhida pelo médico é Jerico (Kevin Costner).

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Psicopata com todas as letras maiúsculas, Jerico sofreu, na infância, grave dano cerebral, que o tornou incapaz de sentir empatia ou emoções. A lesão transformou o cérebro em um "programa em branco", e o homem, em um monstro. Vale tudo para salvar a humanidade: Wells exige que a cirurgia seja feita.

Não é de hoje que o homem tenta criar e recriar pessoas, coisas, e criaturas, e não é de hoje que esse tema aparece em livros e filmes. É só lembrar o clássico Frankenstein, por exemplo, escrito em 1818. Também não foi a primeira vez que a ideia "vamos fazer os criminosos serem úteis à sociedade" apareceu - vide La Femme Nikita e o próprio Frankenstein. Mente Criminosa, do diretor Ariel Vromen, é a mais recente investida no gênero.

Suspense bem-sucedido, de argumento fictício, porém baseado em pesquisas científicas reais de neurobiologia, arquitetura cerebral e inteligência artificial, o #Filme detalha o processo pelo qual as memórias seriam passadas do cérebro de Pope para o cérebro de Jerico, o que não deixa de conferir um aspecto mais realista e menos fantasioso à história.

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O suspense se mostra ágil desde as primeiras cenas, e mantém esse ritmo durante todo o filme. Os atores, todos nomes fortes do #Cinema, contribuem para a história, mas é impossível não destacar a atuação de Kevin Costner. O ator interpreta Jerico, o psicopata à la Hannibal Lecter (personagem de Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes). Tão perigoso quanto Lecter, e mais violento, Jerico, em vários momentos, remete ao canibal - sua chegada ao aeroporto é um exemplo, embora ele não use focinheira.

Talvez pelo momento atual, e por ser israelense-americano, Vromen optou por não falar em "terrorismo". Mente Criminosa traz Heimdahl (Jordi Mollà) como um anarquista (de sobrenome alemão) insatisfeito com os rumos que a humanidade vem tomando. O vilão planeja aplacar a própria fúria através do extermínio da raça humana. Lá pelas tantas, os russos também entram na história. Até nisso o diretor acertou: trazer de volta desafetos mundiais de outrora acabou dando uma "cara nova" ao filme - e evitou que revoltados atuais vejam aí outra desculpa para atos violentos.

As críticas de Heimdahl, entretanto, são bem atuais. Dá até pra simpatizar com o vilão quando ele se queixa dos sistemas bancários. Estreia dia 14. #Entretenimento