Deodato (Eduardo Gomes) é um aprendiz de coveiro que morre de medo de defuntos. Ele aprende o ofício com seu tio, que lhe arrumou o emprego. Um dia, chega uma funcionária do serviço funerário para reorganizar o cemitério. Deodato se apaixona por ela. Mas a moça pretende conseguir espaço para futuros cadáveres às custas dos defuntos antigos, cujas sepulturas encontram-se abandonadas. O lugar de repouso final destes passaria a ser, então, o galpão do cemitério, cada um tendo seus restos mortais colocados dentro de sacos - devidamente etiquetados, é claro. O medroso aprendiz fica indignado. E descobre que não é só ele.

Sinfonia da Necrópole não é, embora pareça, um filme de terror; é uma comédia musical.

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A ação se passa quase toda no cemitério, mostrando ao espectador um pouco da rotina de trabalho de um cemitério, e o trabalho dos coveiros. Os diálogos e as canções se alternam de maneira agradável, e vão contando a história. Os momentos cômicos, alguns geniais, são muito bem inseridos na trama. E os atores dão o toque final, traduzindo bem o lado humanitário do #Filme. Mas não é só isso.

Sinfonia junta duas coisas que transformam o filme numa pérola cinematográfica: a analogia que traça com as grandes metrópoles e o caráter humano da história. Começa pelo trocadilho, necrópole e metrópole. O cemitério representa a cidade, com todas as suas contradições, problemas, diferenças, e também dignidade.

Por um cemitério pode-se conhecer um pouco da história de uma cidade; datas,por exemplo, estão todas lá: quando surgiu, quem foi o primeiro a morrer e quando, guerras e revoluções ocorridas, e por aí afora.

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Tal qual em uma metrópole, as diferenças sociais estão presentes e podem ser percebidas pelos locais de sepultamentos, que vão desde grandes túmulos até modestos locais na terra.

E, assim como nas cidades, existe o problema da superlotação e a necessidade de se "rearranjar" as pessoas. Dois corpos físicos não podem ocupar o mesmo lugar, e não há mais lugar para novos túmulos. A solução é, como na cidade, vertical: prédios para abrigar defuntos. Entram em cena a desapropriação e, como não podia deixar de ser, a especulação imobiliária. É aí que o filme, ao apontar o problema, entra na questão humana.

A morte, último ato que o ser humano realiza na terra, é mostrado de maneira tocante. Começando pela escolha do caixão, passando pela preocupação dos coveiros em conceder dignidade ao momento derradeiro, até culminar com a indignação de Deodato com a desapropriação do lugar de descanso final, tudo é colocado para o espectador. E tudo reflete a questão do ser humano; seus dramas, suas relações, seu lugar no mundo.

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Sinfonia ainda traz, de brinde, personagens diferentes: um padre que come hóstias como se fossem salgadinhos, um senhor que não vê a hora de morrer e uma florista buscando maneiras de inovar seu negócio. As canções são da autoria da própria diretora, ou parcerias entre ela, o produtor musical Ramiro Murillo, e o também cineasta Marco Dutra, que já co-dirigiu outros filmes de Rojas. Estreia dia 14. #Entretenimento #Cinema