Pouco sobrou daquela Alice dos livros de Lewis Carroll na versão cinematográfica de Alice Através do Espelho, produzida por Tim Burton. Na verdade, a única coisa que sobraram foram as personagens, o que não é pouco, pois a turma que habita os sonhos da pequena Alice dos livros é composta por figuras bastante complexas e dão "pano pra manga" para as mais divertidas e inquietantes aventuras. Aliás, é importante lembrar que o filme não promete ser fiel à história e, logo na abertura, apresenta os dizeres "baseados nas personagens da obra de Lewis Carroll".

Apesar disso, Burton criou uma aventura épica na luta da protagonista (adulta em sua versão, como já havia sido em Alice no País das Maravilhas) em uma missão impossível: controlar o tempo e ajustar alguns fatos do passado.

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O grande atrativo da produção cinematográfica é a beleza visual. Os cenários, figurinos, maquiagem são a mais bela combinação de cores alegres e vivas com o toque grotesco e até mesmo macabro presente nos livros de Carroll. A presença das imagens personificadas do pintor italiano Giuseppe Arcimboldo são um diálogo incrível que Burton estabeleceu entre os livros de Alice e as artes visuais. 

A experiência em 3D te faz sentir dentro do mundo de encantamento e, como todas as obras relacionadas à Alice, agradam a todo tipo de público, e não apenas as crianças.

Sem subestimá-las, Tim Burton construiu uma narrativa bem complexa, cheia de aventuras e batalhas que, dessa vez, não habitam apenas o sonho de Alice. Pelo contrário, não é a menina que vive o sonho, mas todos aqueles que não acreditam é que não conhecem a "verdadeira" realidade.

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Johnny Depp aparece em uma versão melancólica, mas igualmente engraçada e estranha do Chapeleiro Maluco. Alice, com seu típico atrevimento, é a representação de uma revolucionária feminista para o seu tempo. Tempo, aliás, brilhantemente interpretado por Sacha Baron Cohen, que oscila entre o assustador e o cômico. A maldade da rainha Vermelha, interpretada por Helena Bonham Carter, aparece justificada e chega-se a sentir pena da personagem.

Lewis Carroll zelava para que seus livros não apresentassem uma lição de moral embutida na história. Tim Burton traz à tona essa moral, a luta pelo bem e pelo mal. No entanto, o faz com tanto bom humor e adrenalina que não interrompe em nada a diversão proporcionada pelo filme. #Cinema #Literatura #Arte