Todos sabem que X-Men foi o grande responsável por trazer fama ao subgênero de super-heróis nos cinemas. Porém, foi em 2011, com 'X-Men - Primeira Classe' que os queridos mutantes tiveram a chance de se reerguer, após uma sequência interminável de decepções que fizeram o público perder o interesse em Wolverine e sua trupe.

Após a estreia de 'X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido' (2014), a franquia trouxe uma proposta de renovação, ganhou fôlego e se impulsinou para o centro das atenções novamente. Houve até a programação de um cronograma para que fosse possível unir os mutantes com o Quarteto Fantástico e Deadpool.

O estúdio acelerou a produção de 'X-Men: Apocalipse' que, de todos os títulos, é o mais ambicioso na ideia de reformular - começando pelo quadro de atores.

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Todavia, é desestimulante e um tanto curioso como o longa conseguiu cometer as mesmas falhas dos filmes anteriores como: X-Men: O Confronto Final (2006) e X-Men Origens: Wolverine (2009).

O filme traz um dos vilões mais importantes e comentados das histórias em quadrinhos, o primeiríssimo mutante En Sabah Nur, chamado de Apocalipse (interpretado por Oscar Isaac), que desperta após alguns milhares de anos, devido a um ritual, com o plano de "purificar" a mundo humano, que, para ele, se perdeu ao longo dos anos. A fim de realizar tal façanha, ele convoca o que seriam "Cavaleiros do Apocalipse", dentre eles estão Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy), Tempestade (Alexandra Shipp) e claro, Magneto (Michael Fassbender). Do lado dos X-Men, estão Mística (Jennifer Lawrence) como uma espécie de líder, Ciclope (Tye Sheridan), e a poderosa presença de Jean Grey (Sophie Turner).

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O enredo é basicamente este, uma força poderosa tentando conquistar o mundo e os heróis lutando para impedir o desastre. Uma sequência de clichês que conta com pouquíssimos aditivos a história central.

As cenas de ação - que são várias - são bem criadas, e a narrativa segue um ritmo razoável, algo natural da filmografia de Bryan Singer. O que decepciona é o fato do cineasta que conhece tanto sobre os personagens da franquia, acrescentar novos e tantos deles e não ter o cuidado de desenvolvê-los devidamente.

As versões jovens de Ciclope e Jean Grey são os personagens que merecem maior destaque, embora Jean se destaque mais ainda por seus tons dramáticos. Todavia, figuras tão importantes e icônicas como a Tempestade, aparecem em cena mais como protetor de tela, já que mal possuem texto. E o erro se repete e se estende ao resto do elenco que transborda de personagens rasos. É fato que o Mercúrio traz um alívio, onde se repete uma empolgante cena plástica que fará os fãs vibrarem. Mas tal artifício perde o impacto quando é visto de novo e de novo.

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O excelente Oscar Isaac teve sua atuação na pelo do vilão prejudicada por estar empalhado atrás de uma fantasia carnavalesca que nada remete aos quadrinhos. Até mesmo Apocalipse é raso, suas motivações são banais, sua personalidade unidimensional e o desfecho da trama é totalmente desconexo. Eis que, sem planejar, o Magneto, de Fassbender, rouba a cena pois este sim possui motivações convincentes.

Quanto aos aspectos técnicos, Newton Thomas Sigel mantém o amarelado clássico de X-Men. Os temas já conhecidos da franquia também são retomados pelo maestro John Ottman. Os efeitos visuais são constantemente exarcebados e, por isso, soam falsos em vários segmentos. O figurino oitentista garante um chame estético.

Em síntese, 'X-Men - Apocalipse' pouquíssimo acrescenta ao universo dos mutantes, ainda que consiga consideráveis números em bilheterias. #Entretenimento #Cinema #Curiosidades