O AC/DC volta ao palco, hoje, em Sevilha, para sua segunda apresentação com Axl Rose como novo vocalista, substituindo Brian Johnson, que teve que se afastar – ou foi afastado? – da banda por complicações auditivas. O clima é sempre de festa, mas quem esteve no Passeio Marítimo de Algés, em Lisboa, no último sábado, viu aquilo que muitos temiam: o AC/DC se transformar um cover de si mesmo. No palco, apenas um membro da formação original do grupo, o guitarrista Angus Young – o baixista Cliff Williams engana pela idade, mas só entrou para o time em 1977, quando assumiu o lugar Mark Evans. À frente do quinteto, completado pelo sobrinho Stevie Young (guitarra) e por Chris Slade (bateria), o endiabrado Angus comanda a festa juvenil da mesma forma que o faz há mais de 40 anos, vestido de colegial e caminhando trôpego de um lado para o outro.

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Na verdade, Angus não pode, simplesmente, desligar o interruptor de uma das maiores máquinas de fazer dinheiro da indústria do entretenimento. O AC/DC é dono do segundo disco – o álbum “Back In Black”, de 1980 – mais vendido da história e suas turnês são um negócio da China para o próprio grupo e para produtores do mundo inteiro. A “Rock or Bust World Tour” teve o maior público de 2015, com mais de 2,3 milhões de ingressos vendidos e o segundo maios faturamento, em nível mundial, com US$ 180 milhões – o equivalente a quase R$ 1 bilhão!

Portanto, a estranha saída de cena de Jonhson e sua substituição por Rose só provam que, aqui, as coisas não se definem em um balcão de bar – pelo contrário.

Sua substituição expõe o que poucos se dão conta: de que o AC/DC é a banda de Angus Young e ele a escala da forma que achar melhor.

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A lenda de que Johnson era motorista de caminhão que sabia cantar as músicas e ficou no lugar de Bon Scott, quando o primeiro vocalista morreu de overdose, é mentira e até mesmo o papel de letrista lhe foi subtraído há muito tempo, em 1988 – de lá para cá, Angus e seu irmão, Malcolm Young, vinham assinando as composições. São por estas e outras razões, que Axl Rose está no palco apenas para cumprir o que está no contrato: cantar o mais parecido com Johnson possível.

Quem esperava novas interpretações para velhas canções se frustrou. Rose, com seu gritinho esganiçado, segue à risca a cartilha do AC/DC, em um “trono” estilizado, por causa de uma fratura no pé esquerdo. O repertório do primeiro show com Axl foi, basicamente, o mesmo do último com Johnson – em Lisboa, o setlist ganhou duas músicas adicionais, “Rock’n’Roll Damation”, fora das apresentações desde 2003, e “Riff Raff”, que não era executada ao vivo, em shows, desde 1979. Das 22 músicas, 11 são da primeira fase do grupo, com Bon Scott, mas Rose canta todas no mesmo estilo de Johnson.

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Em resumo, o AC/DC de raiz deu seu último suspiro no dia 28 de fevereiro deste ano, véspera da aposentadoria de Johnson – o baterista Phil Rudd, outro fundador do AC/DC, já havia sido afastado do grupo no final de 2014 e cumpre prisão domiciliar, na Nova Zelândia, desde julho do ano passado. O conjunto segue em turnê, até junho, quando dá uma pausa para Axl se juntar ao Guns N’Roses na “Not in This Lifetime... Tour”. Em setembro, o AC/DC deve voltar para a estrada, retomando as datas canceladas da perna norte-americana da “Rock or Bust World Tour”, que pode até mesmo respingar por aqui.

E se eles vierem para cá, não perca aquela que pode ser sua última chance de ver o que restou do AC/DC! #Música #Blasting News Brasil #Rock in Rio