Martyrs é um filme de terror franco-canadense que tem lá seus cultuadores. Foi escrito e dirigido em 2008, por Pascal Laugier, e causou impacto principalmente pela brutalidade. É associado com o  novo #Cinema francês extremista, mais especificamente com um de seus subgêneros, conhecido como body horror - que trata da destruição ou degeneração do corpo. O gênero é influenciado pelo trabalho de diretores como David Cronenberg e Clive Barker, entre outros. Mas esse é o Martyrs original.

Martyrs 2016 é um remake sem ser remake. Os diretores Kevin e Michael Goetz, de A rota de colisão, se "inspiraram" no horror franco-canadense e, com algumas modificações na história original, fizeram o Martyrs, que estreia agora no Brasil.

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E apostaram na violência quase tanto quanto Laugier. 

Vamos à sinopse: Lucie, uma menina órfã, é capturada e torturada durante um considerável período de tempo. Ela consegue escapar do cativeiro. A polícia invade o lugar, mas não encontra ninguém, e ela, traumatizada, não é capaz de dar mais informações. Criada em um orfanato, e agora adulta, Lucie resolve ir atrás de seus torturadores. E os encontra. 

Dizer mais pode comprometer o #Filme, então, paremos aqui. Martyrs é brutal. São 86 minutos pesados para a espectadora ou espectador, que precisará ter estômago forte. E estar com a mente preparada para a explicação dos algozes, válidas tanto quanto qualquer uma que Jack, o Estripador, teria dado se tivesse sido preso. 

O filme lida, de certa forma, com o Mal, mas não com o conceito de Mal-inimigo-do-Bem a que estamos acostumados.

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É pior. É o Mal relacionado ao total descaso de um ser humano pelo outro. Motivado pela ambição disfarçada de busca construtiva, o homem é capaz dos mais primitivos atos, e a justificativa é sempre um bem maior. Para toda a humanidade, de preferência. A história da medicina tem muito disso. Para darmos um exemplo, na época em que os estudos de anatomia humana deslancharam, não demorou para que o número de cadáveres se tornasse insuficiente. Alguns médicos inescrupulosos não hesitaram em encomendar assassinatos. Mas isso não é filme; voltemos ao assunto.

Fica difícil falar em melhor ou pior que o primeiro, uma vez que não se trata de uma refilmagem propriamente dita. Os diretores emprestaram o nome e a base da trama, e raciocinaram no melhor estilo "o que teria acontecido se, no original, tivesse sido assim ao invés de assado? “Coloquemos, então, da seguinte forma: quem assistiu ao filme de 2008 pode ou não gostar desse aqui. Talvez para esses espectadores a versão de agora desmereça a história da primeira. Quem não conhece o primeiro tem uma opção de terror forte para assistir. E quem se impressiona com o gênero? Bom, esses, é melhor passarem longe. A menos que queiram bancar os mártires.

  #Entretenimento