Atores negros que interpretam papéis de escravos na novela "Liberdade, Liberdade" aproveitaram o 128º aniversário da Abolição da Escravatura nessa sexta-feira, 13, para pedir que atores negros sejam mais incluídos em novelas. Apesar da população negra ser grande, na televisão são bem pouco aproveitados. Profissionais reclamam que só recebem convites para papéis de serviçais ou escravos, nunca são escalados para serem advogados, juízes, professores e, raramente, protagonistas. Isso sem falar no preconceito que sofrem na vida real, dizem eles. Na teledramaturgia brasileira é dada muita importância ao estereótipo, mas falta representação.

A produção global das 23h tenta fugir ao habitual e dar um pouco mais de destaque ao ator negro mostrando cenas pouco vistas em outras novelas.

Publicidade
Publicidade

A história, ambientada em 1808,  tem uma senhora branca da alta sociedade que usa seu escravo para aplacar seu apetite sexual; uma negra e uma branca, que são irmãs de criação; e um coronel de infantaria, interpretado por um negro. Contudo, seus intérpretes querem muito mais, como diz o ator Bukassa Kabengelle, de 43 anos, que faz um militar na novela das 22h. Segundo o ator, isso é apenas uma forma de tentar ser diferente das outras, exibindo cenas inusitadas.

O ator David Junior, de 30 anos, diz que já é seu terceiro papel como escravo em novelas: o primeiro foi na minissérie "A Cura" (2010); depois o cangaceiro Meia-Noite, em "Cordel Encantado" (2011); e agora, ele brinca dizendo que a jornada é dupla, já que além dos serviços da fazenda também presta favores sexuais à sua dona, Dionísia (Maitê Proença).

Publicidade

Esses são alguns exemplos de que artistas negros sempre são escalados para viver personagens inferiores na escala social.

"Tem que ter médica, advogada, não só faxineira, cozinheira", reclama a atriz Lucy Ramos.

A Rede Globo se defende dizendo que não escolhe seu elenco pela raça, classe social ou religião que pratica e sim conforme a necessidade da história e o potencial de cada ator.

O censo de 2010 informou que 43,1% dos brasileiros consideram-se pardos e somente 7,6% autodeclararam-se pretos. Se juntassem os dois, seriam ao todo 97 milhões de negros, logo a população negra seria maioria esmagadora. #Famosos #Comportamento #Liberdade Liberdade