A projeção econômica e cultural da Coréia do Sul é um fato. Isto pode ser claramente comprovado quando lembramos de duas fortes marcas genuinamente coreanas: a K-Pop (a música pop local) e a gigante da tecnologia Samsung. Mas, esta invasão coreana também se dá no campo do cinema. É crescente a presença de filmes e cineastas sul-coreanos nos principais festivais internacionais de #Cinema. O Ocidente abriu as portas para a produção cinematográfica da Coréia do Sul, que, graças ao talento, a criatividade e a ousadia dos seus realizadores, assume a posição invejável de bola da vez no cenário do cinema mundial.

Possivelmente o ponto de virada nessa história tenha ocorrido no Festival de Cannes de 2004.

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Naquele ano, o júri, presidido por Quentin Tarantino (um entusiasta do cinema asiático / oriental), foi tomado de assalto pelo impactante Old Boy, uma visceral história de vingança narrada com estilo, brutalidade, poesia e violência. Uma receita incomum, mas que, quando conduzida com talento, resulta em obras de referência, que marcam seu tempo. Agraciado com o Grande Prêmio do Júri de Cannes, Old Boy era o segundo filme da “Trilogia da Vingança”.

Trilogia da Vingança

A cinematografia coreana dos anos 2000 seduziu público e crítica no Ocidente por sua ousadia estética e a criatividade dos roteiros. Grande parte deste frisson foi provocada pela “Trilogia da Vingança”, dirigida por Park Chan-wook, composta pelos filmes Mr. Vingança (Sympathy for Mr. Vengeance, 2002); Old Boy (Old Boy, 2003) e Lady Vingança (Sympathy for Lady vengeance, 2005).

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Nestes trabalhos, o cineasta confirma as razões pelas quais é chamado de “Tarantino asiático”. Cineasta de perfil cult e pop, nos três filmes, Chan-wook evidencia sua peculiar forma de contar histórias de violência e vingança, com muito estilo e surpresas constantes no ritmo da narrativa e na trajetória dos personagens. Os três filmes não tem relação alguma entre seus universos. São histórias distintas, porém, com um tema comum: a vingança.

O apelo ao humor negro e o bizarro por vezes marca presença, onde a violência extremamente gráfica convive com momentos contemplativos. Tudo num ritmo que por vezes provoca estranhamento e desconforto no espectador.

O primeiro capítulo da trilogia é Mr. Vingança, que narra a história de um jovem surdo-mudo que cuida da irmã, que precisa de um transplante de rim. Após ser demitido e enganado, decide sequestrar a filha do ex-patrão. Mas nem tudo sai como o planejado. Um acidente fatal provoca uma reviravolta. No terceiro ato a história muda de ponto de vista, e o protagonista passa a ser o pai (ex-patrão do jovem), que assume uma missão de vingança pessoal, que desencadeará uma espiral de sangue e violência.

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A história de Old Boy, segundo capítulo da trilogia, inicia em 1988, quando o personagem central, casado, pai de uma garotinha de 3 anos, é preso por 15 anos, por razões desconhecidas. Inclusive por ele próprio. Sem contato com o mundo exterior, sua vida entra em parafuso. Certo dia, de surpresa, ele é libertado. Sem rumo e desorientado, sua única forma de entender o mundo é buscar os responsáveis por sua prisão. Nesta busca se defrontará com uma terrível revelação.

Fechando a trilogia está Lady Vingança. Como o próprio nome indica, desta vez a protagonista é uma mulher. No caso, uma jovem de 19 anos que foi condenada a 13 anos de prisão pelo sequestro e assassinato de um menino de 6 anos. Após sair da cadeia, ela coloca em prática seu plano de vingança contra o verdadeiro culpado pelo assassinato da criança. Mais uma vez, no terceiro ato do filme, Park Chan-wook nos oferece um banho de sangue.

Embora os três filmes não tenham uma relação maior entre si, o fato é que eles formam um poderoso painel da violência que é inerente ao ser humano. Narrados com muito estilo e criatividade, os filmes da trilogia reforçam o prestígio que o cinema da Coréia do Sul vem conquistando nos últimos anos.