Ele ainda é lembrado em postagens virtuais, em pichações nos muros da cidade, nas estantes das livrarias e nas coleções dos estudantes e jovens em geral. Quase três décadas depois de sua morte, o poeta e escritor curitibano Paulo Leminski continua sendo uma das grandes referências de literatura do Brasil.

Nascido na capital paranaense em 24 de agosto de 1944, Leminski faleceu há exatos 27 anos, no dia 7 de junho de 1989, vítima de uma cirrose hepática. Ainda um grande sucesso em termos de vendagem, especialmente entre jovens leitores cuja idade no máximo empata com os anos passados desde sua morte, Leminski teve em 2014 o livro mais vendido do Brasil.

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Lançado pela Companhia das Letras, a antologia “Toda Poesia”, que reúne sua obra poética completa, ultrapassou o livro “50 Tons de Cinza” para chegar ao topo dos #Livros mais vendidos do país em março daquele ano. Com sua poesia repleta de rimas rápidas e desconstruções literárias em um formato que frequentemente flerta com o pop, Leminski caiu no gosto de uma nova geração e continuou galgando seu espaço entre os escritores mais influentes da literatura nacional.

 

Vida e obra

Muito estudioso e criativamente prolífico desde a infância, Leminski passou por um mosteiro aos 14 anos, casou-se aos 17 e teve sua estreia em publicações aos 20 anos, com cinco poemas publicados na revista Invenção, de Décio Pignatari em 1964. A aproximação com os chamados “concretistas” foi natural e fruto de sua amizade com o poeta Haroldo de Campos, de quem Leminski se tornou amigo ainda muito jovem.

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Com seu vasto conhecimento, Leminski era - além de poeta, escritor e tradutor – professor de História, Redação e Judô. O esporte nipônico foi uma de suas muitas aproximações com a cultura oriental, um dos aspectos de sua vida que mais afloraram em sua verve poética. Poliglota, traduziu diversos livros de várias línguas para o português, incluindo obras de escritores e artistas extremamente cultuados como James Joyce, Samuel Beckett, John Fante e John Lennon.

Separado de sua primeira esposa, Neiva Maria da Sousa, em 1968, Paulo Leminski casou-se no mesmo ano com a também poetisa Alice Ruiz, com quem esteve durante 20 anos e com quem teve três filhos: Miguel Ângelo, que morreu aos dez anos de idade, Áurea e Estrela.

 

Parcerias musicais e novos lançamentos

No início dos anos 80, o poeta ganhou notoriedade como compositor de músicas, especialmente após sua canção “Verdura” ter sido gravada por Caetano Veloso, ícone da Tropicália e da MPB. A ela seguiram diversas outras parcerias, em canções gravadas por e compostas ao lado de artistas como Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Itamar Assumpção, Arnaldo Antunes, Pepeu Gomes e muitos outros.

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Com sua vasta gama de talentos, o escritor também atuou como redator publicitário e colunista do telejornal Jornal de Vanguarda, apresentado por Doris Giesse na TV Bandeiras. Notório boêmio, Paulo Leminski foi vitimado com apenas 44 anos pela cirrose, doença recorrente dos seus anos de frequente consumo de bebidas alcoólicas. Entre os diversos livros que publicou durante sua vida, destacam-se obras como Distraídos Venceremos, Catatau, Agora É que São Elas e as biografias de personalidades como Bashô, Jesus e Trotski.

Após o enorme sucesso de “Toda a Poesia”, a editora Companhia das Letras publicou ainda seu livro direcionado ao público infanto-juvenil chamado “O Bicho Alfabeto”, e neste ano um de seus mais clássicos livros de poemas, “Caprichos e Relaxos”. #Literatura #Arte