Nesta sexta-feira (8), a cantora Beyoncé publicou, em seu site, uma forte crítica ás recentes mortes de negros por policiais nos Estados Unidos e ressaltou que a comunidade negra precisa de mais respeito por suas vidas.

Na mensagem, a cantora deixou claro que não estava criticando os policiais, mas sim, “aqueles seres humanos que não sabem avaliar a vida”.

Beyoncé convocou a todos que lutem pelo seus direitos de viverem em paz, independente de gênero, raça ou orientação sexual.

“O medo não é uma desculpa. O ódio não vencerá", concluiu a cantora.

Durante um show, na quinta-feira (7), em Glasgow, na Escócia, a cantora pediu um minuto de silêncio em um emocionante tributo a Alton Sterling e Philando Castile, os dois negros mortos pela polícia americana em Boston Rouge e Minnesota.

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A cantora dedicou a #Música “Freedom” a todas vítimas da brutalidade policial e exibiu o nome delas em um telão.

O que acontece quando um artista fala sobre o empoderamento negro em uma sociedade majoritariamente branca?

Em fevereiro, Beyoncé apresentou seu novo single, “Formation”, com um vídeo cheio de mensagens polêmicas.  No videoclipe, a cantora faz referências históricas da comunidade negra, ao período colonial, onde muitos negros foram escravizados e humilhados, exalta as mulheres e fala sobre a capacidade de todo negro assumir o poder. Além disso, a cantora critica a imposição de padrões de beleza branco ao resto da sociedade, a negligência do poder público na catástrofe causada pelo Furação Katrina e a violência policial após diversos casos de negros mortos. Beyoncé também rebate criticas em relação a sua filha, Blue Ivy Carter, que foi vítima de ataques racistas por seu cabelo black power.

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 Em 2014, foi levantado um abaixo-assinado na internet para que a cantora e o marido Jay-Z penteassem o cabelo da filha, foram recolhidas três mil assinaturas.

O Super Bowl 50

Sob olhares de milhões de espectadores, a rainha da música pop surgiu com dançarinas sustentando penteados afros e exibindo boinas e jaquetas pretas – as mesmas vestimentas usadas pelos Panteras Negras, fundado em 1966, como um movimento que visava defender moradores dos guetos negros contra a brutalidade policial.

Mesmo com a polêmica do videoclipe, Beyoncé não economizou em protestar contra o racismo nos Estados Unidos em sua performance no Halftime do Super Bowl. Foram pouco mais de dois minutos de versos cantados de “Formation, mas que trouxe uma massiva repercussão nas redes sociais. Em poucos instantes, a hashtag #BoycottBeyoncé se proliferou no Twitter, além de uma enxurrada de criticas à apresentação da cantora.

Os incomodados com a performance não se conformavam com o fato da cantora aproveitar a exposição do evento para protestar.

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Segundo relatórios divulgados pelo Washington Examiner, oficiais da polícia chegaram a desligar a TV durante a apresentação. No Facebook, membros da Associação Nacional dos Xerifes disseram ter baixado o volume e virado as costas durante a apresentação.

Muita gente começou a dizer que a cantora não tinha propriedade para falar sobre a comunidade afro-americana, já que é bilionária. Ativistas negros como Shantrelle Lewis, pesquisadora ligada a ONU, acusa a cantora de fazer apropriação cultural em beneficio próprio.

Sobre esses ataques, Beyoncé declarou que não tinha nenhuma intenção em ofender os policias nem suas famílias, pelo contrario, ela os admira por se sacrificarem para salvar vidas, mas ressaltou ser contra a brutalidade policial.

Apesar de alguns políticos e jornalistas conservadores acharem que Beyoncé está atacando a força policial estadunidense, na verdade ela está abraçando sua negritude. A cantora sempre esteve “dentro” de um armário, onde esteve colocada até agora, protegida pelo sucesso financeiro e esbranquiçada pelo seu privilégio, raro por uma mulher negra na sociedade. Grande parte das autoridades que questionaram a apresentação da cantora são brancos e racistas #Entretenimento #Beyoncé