Bálcãs, 1995. Durante a guerra, numa zona de conflito armado, um grupo de ajuda humanitária tenta remover um cadáver que fora atirado ao poço para contaminar a água. Durante a tentativa, a corda arrebenta, e os agentes saem em busca de uma nova corda. O que parecia ser uma tarefa simples mostra-se missão hercúlea.

A Guerra Civil Iugoslava (1991-2001), ou Guerra dos Bálcãs, que acabou com a Iugoslávia e deu lugar a várias nações independentes, foi um dos mais violentos conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, e o número de vítimas é estimado em torno de 140.000. Os genocídios eram habituais, e vários líderes da época têm sido julgados até os dias de hoje pelos seus crimes, em tribunais internacionais.

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Um dia perfeito se passa nessa época. Mas não pense que se trata de um #Filme do estilo tradicional dos filmes de guerra, que ilustram a violência. Um dia perfeito, ao mostrar um dia na vida de agentes humanitários, trata o tema de maneira inteligente. E com humor - ácido, é verdade. Bem ácido.

O diretor espanhol Fernando León de Aranoa escreveu e dirigiu essa história, que tem como base o livro Dejarse Llover, de Paula Farias. A autora, médica dedicada ao serviço humanitário, começou a trabalhar para a organização Médicos Sem Fronteiras durante a Guerra dos Bálcãs. Seu livro, não lançado no Brasil, narra a vida de um agente humanitário em meio a essa guerra. Ela assina o roteiro do filme.

León de Aranoa (Segunda-feira ao Sol) dirigiu vários documentários, alguns em regiões de conflito como a própria Bósnia, aonde ele esteve em 1995.

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Assim como Farias, o diretor viu de perto a guerra. E foi essa combinação de documentário baseado na própria experiência que deu o diferencial em Um dia perfeito: a precisão ao escolher situações-chave que ilustrem as hostilidades vigentes, sem apelar para o horror explícito.

León de Aranoa soube dosar humor, drama e esperança de maneira profunda, em um filme cuja mensagem subliminar é a mais sombria: toda intervenção externa, ainda que humanitária, é de pouca ou nenhuma ajuda. E os conflitos somente são resolvidos de fato no âmbito interno.

O bom desempenho dos atores Benício Del Toro e Tim Robbins, como os agentes veteranos, Mélanie Thierry (Missão Babilônia) como a agente novata, e a ex-bond girl Olga Kurylenko (007- Quantum of Solace) completa o trabalho, fazendo de Um dia perfeito um filme que deve ser assistido.

E não deixe de prestar atenção na trilha sonora, que tem nomes como Lou Reed, Velvet Underground e Marilyn Manson. É excelente para compor a atmosfera. Estreia dia 21 de julho. #Entretenimento #Cinema