Julio Cortázar é um nome forte da #Literatura argentina. Com seu estilo inovador, o escritor contribuiu de maneira decisiva na renovação da prosa latino-americana ocorrida a partir da década de 1960. Sua obra literária segue três características principais: a mistura do real e do imaginário, o engajamento político, e a busca por uma linguagem fiel à verdadeira linguagem rioplatense  (variedade do idioma espanhol falada em Buenos Aires e em outras províncias próximas ao Rio da Prata).

Em 1963 Cortázar escreveu O jogo da amarelinha, considerado por muitos críticos como o seu livro mais complexo. Esse livro, conforme explicado por Cortázar, pode ser lido de várias maneiras, a critério da leitora ou do leitor.

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Em 1968 o autor escreveu 62 modelo para armar, que é o desdobramento do capítulo 62 de O jogo da amarelinha. Desdobramento, não uma continuação. São outros personagens e situações, e sua leitura independe da obra de 1963.

62 modelo para armar não é uma leitura fácil. Cortázar, seguindo outra de suas características literárias, rompe com a clássica narrativa linear (começo-meio-fim), e trabalha a linguagem de maneira radical. Não existem parágrafos, mas blocos de textos separados por espaços em branco. Situações avulsas são apresentadas, cabendo à leitora ou leitor perceber de que maneira elas se encaixam.

E as inovações não param por aí: nesses blocos, o autor usa e abusa das relações entre determinados eventos (as chamadas causalidades) relacionados aos personagens, cujas vidas sempre se entrelaçam de alguma forma, para expor, em palavras, sentimentos, emoções e pensamentos uma profundidade psicológica como somente Cortázar era capaz de fazer.

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É uma escrita difícil de ser praticada, que contribui para o aspecto surreal do romance. 

Acrescente-se então uma mescla de situações possíveis com outras já nem tanto, e o resultado é 62 modelo para armar. Mais do que um livro, é um desafio às leitoras e leitores. Mas um desafio que vale a leitura.

Formado em Letras, Cortázar trabalhou como intérprete, traduziu Edgar Allan Poe, e influenciou vários escritores latino-americanos. Para além da literatura, seu trabalho foi adaptado para cinema e teatro. O filme Blow-up, depois daquele beijo, dirigido por Michelangelo Antonioni, foi inspirado no conto As babas do Diabo, do livro As armas secretas. No Brasil, a peça Melhor não incomodá-la, encenada pela MiniCia Teatro, foi adaptada do conto A saúde dos doentes, do livro Todos os fogos o fogo.

O escritor morreu em Paris em 1984, de leucemia. Suspeita-se, atualmente, que a verdadeira causa tenha sido Aids, adquirida através de uma transfusão de sangue contaminado em um hospital da França.

Ficha técnica: 62 modelo para armar. Julio Cortázar. Trad. Glória Rodríguez. Editora Civilização Brasileira. 256 págs. R$ 47,90. #Entretenimento #Livros