A autora americana Jessica Herthel decidiu comemorar a celebração anual do direito à leitura de um jeito interessante: ela “intimou” todo mundo a participar da “Banned Books Week” (“Semana dos #Livros Banidos”, em tradução livre). As informações são do The Guardian. 

Herthel é autora do livro “I am Jazz” (“Eu sou Jazz”, ainda não publicado no Brasil) que conta a história de Jazz Jennings, uma adolescente americana de 16 anos que nasceu menino. A história é verídica e a própria Jazz Jennings ajudou na criação do livro. O livro, infantil e ricamente ilustrado, mostra a vida de Jazz em família e na escola, abordando sua dificuldade e a luta para poder usar o banheiro feminino, por exemplo, e ser aceita e tratada como “menina” pelos professores.

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O objetivo do livro é lutar contra o preconceito e todo tipo de discriminação. O lucro da venda dos exemplares é destinado para a fundação criada pelos pais de Jazz para ajudar outras crianças que enfrentam a mesma situação.

Com a publicação de “I am Jazz”, Herthel sentiu “na pele” como é ter um livro censurado. Em algumas cidades o livro não pode ser encontrado e diversas pessoas o consideraram “impróprio” - o que, segundo a autora, só mostra a “urgência” da discussão de temas tão atuais.

Ler o que é “proibido”

A primeira Semana dos Livros Banidos foi realizada em 1982, em resposta ao grande número de livros banidos em escolas, livrarias e bibliotecas naquele ano. Estima-se que, até hoje, mais de 11.300 livros tenham sido repudiados e excluídos das prateleiras americanas, segundo informações da American Library Association. Ano passado, por exemplo, títulos como “Quem é Você, Alaska?” do escritor inglês John Green, e até mesmo a Bíblia Sagrada estavam entre os títulos mais censurados. 

Em 2016 o objetivo é que, entre 25 de setembro e 1º de outubro, as pessoas leiam justamente os livros que são tidos como “inadequados” e que foram, de alguma forma e em alguns lugares, banidos.

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Herthel lembra que as pessoas tentam censurar os livros “desde sempre”: grandes clássicos como “O Grande Gatsby”, de Fitzgerald, e “O Sol Nasce para Todos”, de Harper Lee, por exemplo, já figuraram na lista de desafetos das prateleiras de “pessoas de bem”. Até o famoso "O Mágico de Oz", de L. Frank Baum, era considerado impróprio por mostrar uma protagonista mulher, independente e em posição de liderança.

Ainda ao The Guardian, Herthel continua: “o que precisamos é de mais informação, mais vozes. Peço a todos para celebrar essa semana lendo um livro que alguma pessoa de mente fechada queira desesperadamente manter fora de suas mãos”.

Lista do ano passado 

Os mais censurados de 2015 e suas razões, segundo site oficial da Banned Books Week:

1. “Quem é Você, Alaska?” – John Green

Razões: linguagem ofensiva, sexualmente explícito, impróprio.

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2. “Cinquenta Tons de Cinza” – E. L. James

Razões: Sexualmente explícito, impróprio, e com “escrita pobre que pode influenciar os adolescentes”.

3. “I am Jazz” – Jessica Herthel e Jazz Jennings

Razões: impreciso, impróprio, contém #Homossexualidade e, do ponto de vista religioso, “educação sexual imprópria”.

4. “Beyond Magenta” – Susan Kuklin

Razões: impróprio, anti-familiar, linguagem ofensiva, homossexualidade.

5. “O Estranho Incidente do Cachorro Morto” – Mark Haddon

Razões: linguagem ofensiva, ponto de vista religioso, impróprio, “profanação” e ateísmo.

6. Bíblia Sagrada

Razão: possuir ponto de vista religioso.

7. Fun Home, Uma Tragicomédia Familiar – Alison Bechdel

Razões: violência.

8. Habibi - Craig Thompson

Razões: nudez, sexualmente explícito.

9. A Escola Secreta de Nasreen, Uma História Afegã – Jeanette Winter

Razões: violência, ponto de vista religioso, impróprio para a faixa etária proposto.

10. Dois Garotos Se Beijando – David Levithan

Razões: homossexualidade, “demonstrações públicas de afeto”.

  #Censura