Anita Rocha da Silveira é a mais nova cineasta premiada no Festival Rio 2015. A cineasta carioca tem apenas 28 anos de idade e dirigiu o longa-metragem “Mate-me, por favor”.

O filme, que acaba de estrear no cinema brasileiro, tem como objetivo mostrar uma série de assassinatos de garotas novas que ocorreram na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca.

Anita Rocha concedeu uma entrevista para a revista Cultura e Diversão onde fala mais detidamente sobre este seu trabalho. Para a cineasta, o estupro é uma questão muito presente no dia a dia das mulheres. O medo é constante. Ela lembra que sua mãe pegava táxi e tinha que fingir estar no celular.

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Para ela, o medo do estupro aparece desde cedo nas jovens como forma de prevenção.  Assim, desencadeiam um emaranhado de regras do que se pode ou não fazer. E quando acontece de fato, a possibilidade da mulher se achar culpada é enorme.

A diretora lembra que seu primeiro contato com o #Feminismo foi dentro de casa. Sua mãe era militante feminista, fazendo parte do “SOS Mulher Contra a Violência”, tendo lutado pela criação da delegacia da mulher, nos anos 70. Contudo, Anita lembra as contradições de sua mãe quando ela dizia o que se podia ou não fazer para não ser estuprada.

Para a cineasta, o longa-metragem expõe o #machismo tal como ele se dá na sociedade. É como que uma denúncia. O personagem masculino “o namorado” da personagem Bia, é o símbolo do conservadorismo; em suas falas está o paradigma do machismo.

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Ele é retratado como um sujeito que frequenta a igreja, transa com a namorada, mas ao se arrepender, por motivos religiosos, ele coloca a culpa na namorada por ter tentado ele; depois, seguem em busca de uma garota ultra-feminina, que seria um objeto de desejo machista.

Além do protagonismo da personagem Bia, o longa conta com diversas personagens femininas. Anita conta que cada uma dessas personagens representa as variedades de personalidade feminina traçadas pela autora.

Anita conta, ainda, que mesmo na faculdade ela não se imaginava como exercendo uma função de diretora, por causa do medo de estar em uma função de comando. Expõe a dificuldade de estar à frente de um trabalho sendo mulher e ter que ficar escondendo seus sentimentos. Por fim, ela afirma que no próximo filme não vai mais esconder o que sente; vai se expressar totalmente. #cultura do estupro