Responsável por algumas das canções mais conhecidas do samba brasileiro, o gaúcho Lupicínio Rodrigues completaria 102 anos nesta sexta-feira, dia 16. Nascido em 1914 no humilde bairro de Ilhota, em Porto Alegre, “Lupi” – como ficou conhecido entre amigos e admiradores – marcou seu nome na cultura nacional como um compositor criativo e emocionado. Levou fama também por ter sido chamado de  “criador da dor de cotovelo”, que em seu sentido original se referia aos apaixonados desiludidos que passavam horas nos bares com os cotovelos no balcão.

Famoso pelas suas músicas, Lupicínio Rodrigues não tocava nenhum instrumento. Canções clássicas de seu repertório como “Nervos de Aço” e “Esses Moços” foram compostas apenas por seu canto e por sua inseparável caixinha de fósforos.

Publicidade
Publicidade

A primeira canção, “Carnaval”, foi composta logo aos 14 anos. Filho de um funcionário público e quarto de 21 irmãos, Lupi foi parar no exército aos 15 anos, pois seu pai não aprovava a veia boêmia que o sambista já começava a demonstrar ainda na tenra idade.

 

“Esse garoto vai longe”

Fã de Noel Rosa, Lupicínio conheceu e foi elogiado por seu ídolo em 1932. “Esse garoto vai longe”, disse a lenda do samba carioca. Ainda vinculado ao exército, Lupicínio passou a viver em Santa Maria em 1933. Ali, conheceu Iná, responsável por inspirar diversas de suas canções e com quem manteve um noivado de cinco anos, desmanchado posteriormente pois a família da pretendente não aprovava o estilo de vida do sambista.

Em 1935, pediu baixa e voltou para Porto Alegre, onde sua carreira começou a decolar. Ali começou a trabalhar como bedel na Faculdade de Direito, emprego que aliava com sua movimentada vida noturna na boêmia.

Publicidade

Pouco a pouco, as canções de Lupi foram ultrapassando as rodas de bares e chegando aos mais diversos ouvidos. No mesmo ano, venceu um concurso da prefeitura com “Triste História”. Alguns anos depois, em 1938, Lupi chegou ao estrelato com “Se Acaso Você Chegasse”, que se tornou um estrondoso sucesso na voz de Cyro Monteiro. Mais tarde, a canção também faria sucesso na voz de Elza Soares.

Aliado ao pianista Felisberto Martins, Lupicínio passou a produzir mais sambas que foram se tornando sucessos nas rádios. Em uma visita ao Rio em 1939, conheceu Francisco Alves, então o cantor mais importante do Brasil, que se encantou pelas composições daquele negro franzino do sul. Dali pra frente “O Rei da Voz” gravou alguns dos mais conhecidos sambas de Lupicínio, aumentando a fama do compositor no Sudeste.

 

Casamento e churrascaria

Com o sucesso na #Música, Lupicínio – que nunca deixou de morar em Porto Alegre – passou a ter uma vida pessoal mais confortável. Já no fim da década de 40, pegou parte do dinheiro que havia ganhado e abriu uma churrascaria, onde também se apresentava e realizada diversos encontros da boêmia local.

Publicidade

Pela mesma época, casou-se com Cerenita Quevedo Azevedo. Aquele foi o primeiro de muitos estabelecimentos comerciais que Lupi viria a ter.

Nos anos seguintes, a fama de Lupi continuou aumentando com suas músicas ganhando interpretações de artistas como Linda Batista e Jamelão. Ainda nos anos 50, criou uma de suas mais famosas composições, o hino do Grêmio, considerado um dos mais bonitos entre todos os clubes brasileiros.

Nos anos 60, foi a vez de Elza Soares regravá-lo, mantendo viva sua importância entre o novo cenário musical que surgia no Brasil. Entretanto, os “tempos modernos” acabaram deixando Lupicínio e outros de sua geração relegados ao esquecimento, já que o período da “era do rádio” acabou sendo gradualmente substituido por um universo ligado aos protestos contra o regime ditatorial e às influências de músicas americanas e inglesas.

Em 1974, aos 59 anos, Lupi se despediu desse mundo, vítima de insuficiência cardíaca. Foi-se o homem, ficaram as canções, que continuam presentes em rodas de samba Brasil afora. Com uma vida cheia de boêmia e poesia, Lupicínio Rodrigues continua sendo lembrado como um dos maiores sambistas do país. Sorte a nossa. #Entretenimento #Arte