Desde que o primeiro livro de Elena Ferrante foi lançado, muito se tem especulado sobre sua identidade. Isso porque a autora sempre se negou, categoricamente, a aparecer. Ferrante limitou-se a dar poucas entrevistas, sempre por e-mail, evitando fotos ou qualquer informação pessoal.

Sob esse pseudônimo, sequer sabíamos se a autora da Série Napolitana era um homem ou uma mulher. Até essa semana. Intitulado “Elena Ferrante: An Answer?” (Elena Ferrante: Uma Resposta?) o artigo publicado no The New York Review of Books, pelo jornalista Claudio Gatti, procura responder à pergunta que desde os anos 90 os leitores e curiosos de #Literatura têm feito: Afinal, quem é Elena Ferrante?

Ao que parece, Elena Ferrante é, na verdade, a tradutora Anita Raja.

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Após meses de investigação, o autor do artigo em questão parece não ter dúvidas de que finalmente descobriu quem escreveu A Amiga Genial. Casada com o autor Domenico Starnone, Anita Raja parece ser mesmo o melhor e mais acertado palpite no que diz respeito à pessoa que responde por trás do pseudônimo de Ferrante.

Como ele descobriu isso? A investigação foi meticulosa e, segundo alguns nomes da imprensa, diversos blogueiros e vários autores, “uma verdadeira invasão de privacidade". Após averiguar a movimentação financeira de Anita Raja desde os anos 90, o jornalista verificou que o salário da tradutora foi maior em determinadas épocas, que coincidem justamente com os lançamentos e sucesso em vendas dos livros de Ferrante.

Uma propriedade comprada em seu nome e, mais recentemente, um apartamento em nome do marido, ajudam a comprovar a tese, já que aconteceram logo após as boas vendas dos #Livros de Ferrante em outros países. Além disso, Raja é freelancer; ou seja, ela não trabalha formalmente na editora para qual presta serviços e seu salário, segundo Gatti, não é “condizente” com os serviços de tradução.

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Os livros de Elena Ferrante venderam muito em toda a #Europa e já foram publicados em mais de 40 países diferentes. No Brasil, a Série Napolitana (composta de quatro livros) na qual A Amiga Genial é o primeiro, tem sido muito bem aceito desde que chegou, no ano passado.

Boa parte do sucesso de Ferrante veio justamente do fato do mistério ao redor da vida da autora que nunca mostra ao rosto. Como ela mesma declarou em entrevistas, é “a obra que deve falar por ela, os livros é que devem cumprir seu papel”.

Após a publicação do artigo de Gatti, inúmeros posts fervilharam na internet. Dayna Tortorici, editora da revista One+, foi uma das pessoas que pareceram muito irritadas com a situação: “Um autor escreve sete romances, e nós queremos uma foto. Ele escolhe um nome para si mesmo, mas queremos o que está em seu passaporte. Exigimos sua presença na Feira do Livro de Frankfurt, sua história de vida, seus extratos bancários...

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A verdade é que nos sentimos no direito de considerar que ser “público” é o “preço da fama”. Sobre o artigo ‘Elena Ferrante: Uma Resposta’ eu apenas pergunto: ‘Uma resposta para quê?’”.

Tortorici continua dizendo que a sociedade parece nunca se conformar com quem não quer holofotes, mas apenas fazer seu trabalho.

A editora italiana que publica os livros de Ferrante também se mostrou irritada com a situação: “Não faremos nenhuma declaração, tanto em nome da editora quanto em nome de Ferrante”. Já seu editor, Sandro Ferri, falou ao “The Guardian” sobre o episódio: “Estou chocado com a tentativa de desmascarar uma mulher que apenas desejava escrever seus livros, nada mais. É repugnante “vasculhar” a vida de um escritor que decidiu não ser público”.

Já segundo Claudio Gatti, autor do artigo e da descoberta, “em tempos de fama e celebridades, a pessoa por trás de Elena Ferrante aparentemente não queria ser conhecida. Mas o sucesso fenomenal de seus livros acabaram tornando essa pesquisa por sua identidade simplesmente inevitável”.

Resta saber se era mesmo tão inevitável assim.