Nas sombras do Estado Islâmico parece um livro de terror, mas é um relato autobiográfico. A autora, que nasceu no Congo e vivia na França desde os nove anos de idade, abandonou o marido e a família para se juntar ao grupo. Ela achava que, dessa forma, preencheria um sentimento de vazio que, por motivos explicados no livro, sentia em sua vida. E levou junto seu filho de quatro anos. Foi, em suas palavras, o pior erro de sua vida.

À procura de conforto espiritual, Kasiki, de família católica, se converteu ao Islã, influenciada por pessoas próximas que conheceu em seu trabalho. Entre essas pessoas estavam aqueles que vieram a recrutá-la.

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Ela viajou para a Síria e o horror teve início.

Em detalhes, ela narra o que viu e viveu em Raqqa, reduto do Estado Islâmico na Síria; conta como se deu sua fuga do lugar e a volta para a França. Presa no aeroporto, passou mais dois meses sem ver a família e, hoje, de volta ao lar e ao marido, sabe que ainda pode enfrentar um processo pelo sequestro do próprio filho.

Kasiki agora se sente manipulada pelos homens que a convenceram a ir, e reconhece que eles foram treinados para recrutar pessoas vulneráveis como ela. Arrependida, decidiu tornar pública sua história para que outras pessoas não sejam vítimas de recrutadores.

Temendo represálias, ela não mostra o rosto, a não ser de perfil, e revela que esse não é seu verdadeiro nome. Kasiki ainda se sente incrédula com o poder de persuasão de seus recrutadores, capazes de reconhecer e tirar proveito dos pontos fracos de uma pessoa.

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Reconhece que teve sorte em escapar e que terá de conviver com o que considera, agora, um erro perigoso.

Detalhe interessante: o título original do livro é Dans la nuit de Daech - Nas sombras do Daech, portanto. O uso da palavra daech ( ou daesh), acrônimo para o nome árabe do grupo, tem sido preferido por governos de vários países por funcionar como anti-propaganda. Ao retirarmos dos terroristas seu caráter islâmico e de Estado, que eles mesmos se atribuíram, retiramos também o peso simbólico dessa organização. E daech é também um trocadilho com a palavra dahes, que significa "aquele que semeia a discórdia". Os terroristas detestam. #Livros #Estado Islâmico #Comportamento