Viajar abre os olhos para novas experiências. A Guatemala, na América Central, abre todo um horizonte de novidades, numa cultura envolta em um sincretismo que é comparável ao , da Bahia, quando os descendentes africanos foram obrigados a unificar seus deuses com correspondentes santos católicos para garantir a sobrevivência de sua cultura e fé. Essas informações foram obtidas através de nativos, que querem manter o anonimato.

Lago Atitlán e os Maias

Em #Viagem recente ao Lago Atitlan, um jovem guia, com o nome baseado em um santo católico, São Nicolau, para satisfazer os costumes dos invasores espanhóis que proibiam os nomes locais, pois faziam referência a deuses pagãos, relata uma história digna de reflexão sobre a inteligência desses ditos indígenas.

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A influência católica é absoluta no país, podendo ser retratada em uma disposição curiosa dos santos na Igreja Colonial em Santiago, no Departamento de Sololan (Estados são departamentos na Guatemala). Aí, vários santos estão agrupados com vestimentas típicas guatemaltecas e o Cristo veste uma indumentária de tecido colorido típico dos #Maias.

Sincretismo: sobrevivência de deus Maias na Igreja Colonial Católica

Os Maias são os principais indígenas na região de Atitlán, mas como seus ascendentes foram perseguidos por espanhóis católicos e seus descendentes, essa informação é obtida apenas quando se entrevista um deles em espanhol. O Nicolau, o guia, tem também um nome indígena no seu dialeto para ser reconhecido pelos seus pares (existem 23 idiomas locais). Essa técnica é semelhante à dos nomes dos descendentes de japoneses, no Brasil que possuem um nome em português seguido do nome japonês.

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Essa ‘camuflagem” existe nos dias atuais para mostrar aos novos, segundo o guia, como os antepassados foram perseguidos e massacrados por espanhóis e “ladinos’ (indígenas que denunciavam aos espanhóis a localização de tribos inimigas, gerando o extermínio destas). Havia uma guerra civil que provocou a extinção visível da cultura Maia enquanto povo autônomo, que teve que adotar o sincretismo para sobreviver. Talvez isso explique porque, após agradecer por um serviço com um “Gracias”, a resposta deles é sempre “para servi-los”.

A gravata como símbolo do infinito e da relação com o Deus Maia

A camuflagem inclui um aspecto interessante que pode ser notado nos santos da igreja colonial (do século XVI): a existência de gravatas nos santos. A gravata, pelo nó que tem, significa “infinito”, pois não é possível ver onde começa ou termina. O conceito de infinito é matemático, uma grandeza imensurável, que na igreja significa a dedicação do indígena àquele santo, pois conseguiu um pedido realizado ao Deus Maia correspondente àquele santo católico.

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Para realizar o pedido, a pessoa o faz olhando para o chão, onde está enterrado o símbolo do Deus Maia correspondente, que ali fora posto durante a construção da igreja em segredo. Essa foi a maneira para enganar os espanhóis, que pensavam terem convertido os indígenas tão bem que construíram voluntariamente a igreja colonial, a melhor referência da Cidade de Santiago, à beira do Lago Atitlán, entre três vulcões. Vale a pena conhecer. #Religião