Está em cartaz o filme Kóblic, do diretor argentino Sebastian Borensztein, estrelado pelo premiado ator Ricardo Darín. Antes de mais nada, o filme merece ser visto apenas por não nos fazer esquecer o quão dilacerante foram os anos de #Ditadura. Conhecida como a mais sanguinária das ditaduras na América do Sul, a dominação militar na #Argentina, sob o comando de Jorge Rafael Videla, eliminou em torno de 30 mil civis.

O filme se passa em 1977, um ano depois da tomada militar na Argentina. Tomás #Kóblic (Ricardo Darín) é piloto e capitão das Forças Armadas, sua missão era conduzir o desumano “voo da morte”, em que civis eram dopados e jogados dos aviões militares ao mar, completamente desacordados, alguns eram desnudos para que não soubessem de suas origens pela etiqueta das roupas.

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Depois de pilotar os voos, Kóblic é tomado por um profundo arrependimento; para não enlouquecer com visões e lembranças, se refugia num povoado ermo e pacato. Assim, tenta recomeçar a vida com a ajuda de um amigo de longa data. A trama se desenrola com a suspeita que o novo habitante da cidade incita no delegado de Colônia Elena. 

Veja o trailler:

Apesar de todas as críticas ao filme, Kóblic reúne doses de suspense, aventura e romance, não necessariamente nesta ordem, sem deixar de lado os aspectos políticos e psicológicos do momento. O que faz a diferença no drama é a possibilidade de nos inserir num passado recente sem grande esforço. Histórias como a de Kóblic têm um cunho de verdade e fogem das cenas dos enredos dramáticos e condescendentes hollywoodianos. Não que os filmes hollywoodianos sejam, em seu todo, condenáveis, mas é provocante entrar numa sala de cinema para fazer parte, mesmo por um segundo, daqueles momentos de escuridão e sentir o quão brutal foram os anos de chumbo na América do Sul.

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Como dizia o poeta espanhol: “Aqueles que não conseguem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo”. Não é difícil entender isso, é só voltar um pouquinho nas manifestações ocorridas, neste ano, no Brasil e ver o número de pessoas que pediram a volta da Ditadura. Parece pouco? Então, "avance uma casa" para a votação do Impeachment na Câmara dos Deputados e ver e ouvir a declaração do deputado Jair Bolsonaro em homenagem ao ditador Brilhante Ustra, responsável pelas torturas entre 1964 e 1985. Esse nome certamente seria banido de circulação, não fosse a grotesca falta de senso de justiça de alguns habitantes e políticos deste país. Por essas e outras, é necessário ver (e pensar com) Kóblic.