O mercado editorial brasileiro descobriu nos últimos anos o nicho das biografias de artistas do ramo da música. Além dos ídolos internacionais, está se tornando cada vez mais comum o lançamento das biografias e autobiografias das principais figuras brasileiras.

Entre as opções existentes, chegou a vez dos fãs do vocalista do Ratos de Porão e apresentador João Gordo contar a sua história.

Como não poderia ser diferente, o ícone punk utiliza uma linguagem escrachada e muitas vezes engraçada para contar as suas peripécias.

A obra, que foi batizada de “Viva La Vida Tosca”, abrange desde a infância de João, vivida no bairro operário de São Paulo da Vila Gustavo, a relação com o pai, assim como as suas aventuras como vocalista da banda punk Ratos de Porão.

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A fase como apresentador da MTV e da Record também é relatada em detalhes. Há espaço ainda para mostrar um lado pouco conhecido de João Gordo, que é o lado do homem de família.

Relação com o pai e entrada no punk

João Francisco Benedan, o João Gordo, deixa claro em vários momentos na autobiografia que a relação com o pai não era boa, mas que serviu como referência para o caminho que o próprio João toma em relação aos seus filhos: “Meu pai era ausente e violento, mas eu sou um pai presente e carinhoso. Pego os meus filhos na escola, ponho eles pra dormir, estudo com eles, faço tudo por eles”.

Outro momento marcante do livro é a narração do primeiro contato que João Gordo teve com o punk, que se tornou a sua válvula de escape e um estilo de vida:  “Minha vida mudou de verdade quando ouvi o LP ‘A revista Pop apresenta o Punk Rock’, com Sex Pistols, Ramones, The Jam, Ultravox, London, Stinky Toys e outros.

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Foi a primeira vez que ouvi Ramones. Fiquei alucinado com aquilo. Não tinha solo, a guitarra parecia uma serra elétrica, era muito moderno o bagulho”.

A identificação foi imediata e em pouco tempo o garoto da periferia assumia o posto de vocalista da banda Ratos de Porão (R.D.P), que já existia. Vocalista do R.D.P desde 1983, João realizou diversas tours internacionais, principalmente para a Europa, além de realizar milhares de shows, muitas vezes tocando com seus ídolos, como os Ramones.

Apresentador de televisão e vício

O livro mostra ainda a passagem pela MTV, quando João apresentou uma série de programas de sucesso no auge da emissora e tornou-se verdadeiramente famoso, assim como explica a sua breve passagem pela Record.

Ás vezes escrachado e em outros momentos cômico, João Gordo consegue abordar assuntos delicados como o seu vício e o drama com a obesidade e as várias oportunidades em que quase morreu. “Eu fumava três maços de cigarro por dia e cheirava heroína, fora o ecstasy, o pó, a cerveja e o uísque.

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Eu só comia feijoada e hambúrguer o dia todo. Não sei como não morri. Sou um cara de sorte, um protegido”.

O livro também conta casos curiosos, como a vez que conheceu e cheirou cocaína com Kurt Cobain e Courtney Love em São Paulo, a relação com Max Cavallera, vocalista do Sepultura, e seu encontro com Cazuza, além da sua não adaptação à escola e as “tretas” que enfrentou nas décadas de 1980 e 1990 com os carecas, facção inimiga dos punks, entre outros.

Se você é fã de punk, do João Gordo ou gosta de boas histórias, vale a pena conferir: “Viva La Vida Tosca” (Darkside Books), de João Gordo e André Barcinski, já à venda nas livrarias. #JoãoGordo #RatosDePorão #LivrosLançamentos