O Brasil possui em sua história cultural uma vasta lista de artistas consagrados nacional e internacionalmente. Muitos têm ou tiveram trabalhos verdadeiramente relevantes, porém, poucos são ou foram extraordinários como Sebastião Bernardes de Souza Prata. O nome pode passar despercebido, mas basta identificá-lo como Grande #Otelo para recordar do artista irreverente e único. Ele deixou esta dimensão há 23 anos, tornando um mito e lembrado com muito carinho pelos seus admiradores.

A carreira de ator, comediante, poeta, compositor e intérprete fez de Otelo um dos principais nomes brasileiros do século XX e o primeiro artista negro de destaque.

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Foi no #Cinema nacional que o pequeno e ao mesmo tempo gigante artista, de apenas 1,54m, conquistou prêmios e reconhecimento dos amantes da sétima arte. A comédia "Macunaíma", de 1969, baseada no livro de Mario de Andrade, foi a de maior sucesso e rendeu a Otelo indicações e premiações importantes em festivais de cinema do país. A participação de Otelo no cinema ultrapassa a marca de cem filmes. Teve Oscarito como um dos principais parceiros. Trabalhou ainda com o renomado diretor estadunidense Orson Welles. O herói brasileiro foi chamado de gênio por Welles. Talvez este tenha sido um dos maiores troféus do do ator.

Para chegar onde chegou, a vida de Otelo foi tão intensa quanto o legado deixado nas artes. Perdeu a mãe alcoólatra, teve o pai assassinado a facada em um briga de bar, e parou em um orfanato.

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Já com a carreira consolidada, precisou lidar com mais duas perdas: a mulher que se suicidara após envenenar e matar o próprio filho, enteado do ator. O talento nos palcos era tanto que fazia o público rir e chorar em na mesma apresentação. Também foi engajado politicamente se juntando a diversos artistas e intelectuais ao desfiar o regime militar que durou duas décadas no Brasil. Inspiração de muitos negros, lutou ainda contra o preconceito existente na sociedade da época denunciando a discriminação.

Contratado pela Rede Globo, participou de programas humorísticos, entre eles a Escolinha do Professor Raimundo, de Chico Anysio, além de telenovelas. A última participação havia sido na novela Renascer, de Benedito Ruy Barbosa, em 93. Nascido em Uberlândia (MG), no dia 18 de outubro de 1915, Grande Otelo veio a falecer no dia 26 de novembro de 1993, em Paris, na França, aos 78 anos. Ele recém chegara ao país europeu para receber um prêmio no Festival de Nantes, porém, teve parada cardíaca e não resistiu. A presença física de Otelo não é mais possível. Se vivo estivesse, completaria 101 anos em outubro passado. Mas a obra deixada será eternizada e acompanhada pelas próximas gerações.

Filme Macunaíma (áudio em português e legenda em francês)

#Memória