A personagem é Rita Lee Jones, 68 anos, sendo 48 destes dedicados à sua carreira musical, que vendeu 55 milhões de álbuns, e que tornou-se a maior representante feminina do rock nacional graças à sua inteligência e humor ácido.

Agora a “Rainha do Rock Brasileiro” resolveu abrir o seu baú de memórias e ela mesma colocou a mão na massa e escreveu a sua autobiografia, editada pela Globo Livros.

Engana-se quem acha que encontrará apenas histórias sobre a sua vida musical, pois Rita vai muito além e aborda diversos momentos da sua vida.

Uma das principais características da obra é o bom humor e sarcasmo, presente também nas suas letras.

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Entre os vários momentos de destaque, o livro traz revelações sobre sua vida pessoal, como a revelação da artista ter sofrido um estupro ainda criança, realizado um aborto, as muitas baixarias que se envolveu e, claro, as relações com as drogas e as internações que vieram por conta deste problema.

Também não falta informações sobre a longa carreira artística enfocando a época dos Mutantes, Tutti Frutti e carreira solo.

Para Rita Lee, uma autobiografia que se preze tem que contar os podres e isto não faz com que ela se importe de perder o que resta da sua pouca reputação: “Se eu quisesse babação de ovo, bastava contratar um ghost-writer (escritor especialista em escrever e que não é considerado o autor da obra) para escrever uma 'autorizada'."

Como surgiu a ideia da autobiografia

Vivendo afastada do agito dos grandes centros urbanos, ou como a própria Rita diz, vivendo no mato, a “Rainha do Rock” comecei a escrever num velho iPad o que vinha à sua cabeça.

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A atividade tornou-se uma verdadeira terapia, fazendo-a viver bons e maus momentos. Entre as principais revelações, o estupro que sofreu na infância, com uma chave de fenda, cometido por um técnico de máquina de costura foi a que necessitou maior reflexão, pois a própria Rita Lee escondia de si mesma o fato. “Depois de descrever o fato, ele perdeu importância e a ferida foi curada”, explicou a artista em entrevista ao UOL.

Há ainda detalhes da sua expulsão das bandas Mutantes e Tutti Frutti, porém em nenhum momento Rita assume o papel de vítima e cita os principais responsáveis pelos desligamentos das quais a cantora também era fundadora: no Mutantes foram os irmãos Sergio Dias e Arnaldo Baptista, e no Tutti Frutti foi o guitarrista Luis Carlini.

Com cinco décadas de carreira para relembrar, "Rita Lee - Uma Autobiografia" traz memórias de momentos históricos –como as participações dos Mutantes nos festivais dos anos 60–, e impressões sobre discos e turnês.

Rita Lee também conta histórias hilárias com outros personagens, como Tim Maia, Elis Regina, David Bowie, entre outros.

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O “causo” sobre Alice Cooper inclui o roubo das serpentes do cantor gringo para que os animais não fossem maltratados.

A artista resume a sua relação com as drogas em uma frase: "Reconheço que minhas melhores músicas foram compostas em estado alterado, as piores também."

Além do texto, Rita Lee também foi a responsável pela seleção das fotos que ilustram a obra, assim como as legendas, assim como a própria capa. #RitaLee #RockNacional #Música