Gláuber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, entre tantos outros cineastas, são as estrelas de "#Cinema Novo", #Filme de Eryk Rocha que conta, através de trechos de filmes, entrevistas e imagens de arquivo, a história do movimento que mudou o panorama do cinema brasileiro nos anos 60. Ao dar voz aos diretores, produtores e fotógrafos que criaram o Cinema Novo, Eryk realiza mais do que um documentário sobre o movimento, pois resgata o pensamento, os sonhos e as ideologias de uma geração que sonhou ser possível mudar a realidade social brasileira através de um cinema crítico e engajado.

Do mote "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", passando pelo golpe militar de 1964, até o famigerado Ato Institucional nº 5, que estabeleceu a censura prévia, e que com isso foi uma pá de cal no altamente politizado movimento do Cinema Novo, o filme tem o mérito de transmitir ao espectador toda a paixão e sonhos de um grupo de jovens realizadores, mostrando ser possível, tantos anos depois, se emocionar com filmes realizados há mais de 50 anos.

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Do início, influenciado pelo Neo-Realismo italiano, sobretudo nos filmes de Nelson Pereira dos Santos realizados nos 50, como "Rio 40 Graus" e "Rio Zona Norte", estes também, influência e uma espécie de farol para o que viria a ser os filmes do movimento nos anos 60, como os clássicos incontestáveis "Deus e o Diabo na terra do sol", "Terra em transe", "Vidas secas", "São Paulo S/A" e "Macunaíma", até as realizações dos diretores do movimento no período pós-Cinema Novo nos anos 70, onde, dentre estes, pode-se destacar a belíssima adaptação feita por Leon Hiszman de "São Bernardo", romance de Graciliano Ramos, o documentário de Eryk Rocha realiza um arco narrativo que não apenas conta a história do Cinema Novo, mas atualiza e ressimboliza muitas das suas ideias políticas e estéticas.

O diretor Eryk Rocha é filho de Gláuber Rocha, um dos mais conhecidos e importantes cineastas do movimento.

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Talvez pela proximidade e conhecimento relativo aos filmes que homenageia, Eryk faz um documentário nem um pouco saudosista, e que, através de uma profunda imersão nos filmes da época, mostra que o movimento do Cinema Novo não se perdeu no tempo, deixando claro que muitas das questões por ele levantadas continuam atuais e relevantes. Não à toa, o filme venceu o prêmio "Olho de Ouro" no último Festival de Cannes, premiação essa destinada a filmes documentários. Sem dúvida, "Cinema Novo" é um filme que merece ser visto por todo amante do cinema brasileiro, não só pela sua qualidade, mas também pelo olhar único com o qual disseca um dos momentos mais importantes da história brasileira, os anos 60, através do olhar dos cineastas que marcaram o período.

Ficha técnica

Cinema Novo: Brasil, 2016, 1h30.

Direção: Eryk Rocha. #Entretenimento