O reality show RuPaul's Drag Race trouxe maior visibilidade para a #Cultura drag. A seguir, contamos um pouco mais de como ela surgiu e se consolidou nos Estados Unidos, além de ser responsável pela criação de uma novo estilo de dança, o "vogue", que também vem sendo resgatado em diversas festas #LGBT pelo mundo.

Vogue”, ou melhor, “voguing” – que podemos aportuguesar para “voguear” – é um estilo de dança que se originou no bairro nova-iorquino do Harlem na década de 1980. O nome vem justamente da revista de moda Vogue (palavra que significa “moda que prevalece”; aquilo que está altamente na moda em determinado momento) e a dança foi criada tendo como inspiração as poses das modelos e a estética adotada pela publicação.

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Já nos anos 1960, em bailes promovidos pela comunidade negra do Harlem, os movimentos de dança que dariam forma ao movimento começaram a surgir. Segundo o autor Michael Cunningham (conhecido pelo romance As horas, que foi transformado em filme), em seu conto “The Slap of Love”, os bailes têm acontecido em Nova York desde os anos 1930, promovidos em bares gays por homens brancos que se “montavam” para desfilar – algumas drag queens negras também competiam e pintavam seus rostos de branco, mas raramente ganhavam.

Assim, na década de 60, os negros decidiram promover seus próprios eventos, que foram se tornando cada vez maiores e mais disputados com o tempo. No início, as competições envolviam apenas desfiles e apresentações tradicionais por parte das queens.

Um marco da história da cena underground aconteceu em 1977, quando a drag queen Crystal LaBeija anunciou um baile de grandes proporções, organizado pela House of LaBeija – nome escolhido por conta das grandes maisons de alta costura, que também se designavam como “casas”, a exemplo da House of Chanel e da House of Dior.

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Desde então, o conceito foi adotado por diversas outras “famílias” LGBT e deu origem a todo um sistema de “casas”. Na década de 1980, drag queens adotadas pelas famílias competiam usando os respectivos nomes das casas a que pertenciam, desfilando e dançando – ou fazendo uma mistura de ambos na pista.

Inicialmente, os bailes eram frequentados por negros e latinos de classes mais baixas, mas à medida que ganharam fama passaram a receber um público mais diverso e brancos de classe média iam aos bairros de periferia apenas para prestigiar as festas.

Em Washington, D.C., a cena começou a se fixar a partir de 1986 e muitas casas foram surgindo e ganhando força na década de 1990. Até hoje são promovidos bailes periódicos que reúnem um público bastante fiel e shows que ganharam bastante visibilidade “externa” desde o lançamento do programa RuPaul’s Drag Race. A própria RuPaul, que consagrou sua carreira em Nova York, tinha o costume de assistir às apresentações tanto em Los Angeles quanto nas outras cidades por onde viajava e, às vezes, levava roupas suas para doar às performers.

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Alguns competidores chegaram a trabalhar com estrelas da música pop, como Willi Ninja, da House of Ninja, que aparece no documentário Paris is Burning. Considerado o avô do voguing, Ninja foi responsável pela icônica coreografia do clipe de “Vogue”, da Madonna, vídeo que popularizou o estilo por todo o mundo – muito embora quase todo o reconhecimento tenha ido para Madonna, enquanto Willi Ninja caiu no esquecimento.

Benny Ninja, a quem Willi deu o posto de “pai” da House of Ninja participou de diversos episódios de America’s Next Top Model, em que dava aulas de pose e expressão corporal para as competidoras. Kevin Aviance, da House of Aviance, participou do video de “Flawless”, da Beyoncé, além de aparecer em episódios dos programas America’s Next Top Model e The Tyra Banks Show.