Tendo como base para a história o ponto de vista de seis pessoas que vivenciaram o ataque de bomba atômica de #Hiroshima em 1945, Toshiko Sasaki, Hatsuyo Nakamura, Masakazu Fujii, Terufumi Sasaki, Wilhelm Kleinsorge, que é padre, e Kiyoshi Tanimoto, o reverendo, tiveram suas histórias de vida detalhadamente relatadas por John Hersey em “Hiroshima”, que antes de se tornar livro, era uma matéria da revista The New Yorker.

O autor inicia seu livro contando onde estavam essas pessoas no exato momento em que viram o forte clarão que trouxe apenas o caos e o horror para Hiroshima, e relatando o que faziam antes da bomba atômica tocar o solo japonês, alterando por décadas as vidas de todos os habitantes.

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Depois, o autor passa a nos demonstrar a sucessão de fatos e dos agonizantes dias que sucederam o ataque.

De modo perturbador e impactante, sem medo de chocar o leitor ou tentar esconder a verdade com palavras mais delicadas, o autor relata com veracidade e expondo todos os males de uma das maiores atrocidades já ocorridas na humanidade. Faz da leitura de seu livro uma experiência impactante, mostrando todas as dores, tristezas e desesperos sentidos pelas vítimas feridas, seus amigos e familiares. É um texto muito envolvente, dando a impressão de que a história não foi baseada em entrevistas e que o próprio John Hersey vivenciou tudo o que é exposto pela obra.

A bomba trouxe o caos, que se alastrou por toda a cidade. Pessoas ficaram gravemente feridas e queimadas, e muitos morreram em Hiroshima, que estava arrasada e em pânico.

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O Hospital da Cruz Vermelha não parava de receber os feridos e pessoas com casos de intoxicação pela radiação, e as “áreas seguras” recebiam cada vez mais sobreviventes.

Hersey retrata ainda, em seu último capítulo, as sequelas e cicatrizes presentes nos corpos e nas memórias desses seis hibakushas, sobreviventes da bomba, quatro décadas após a explosão e como isso influenciou e modificou suas vidas, mesmo tendo passado tanto tempo.

O livro é considerado, até hoje, a reportagem de maior relevância do séc. XX, por retratar um dos episódios mais marcantes e horrorosos da 2ª Guerra Mundial com muita apuração e entrevistas. A contextualização e a análise de cada movimentação das personagens garantem à obra de John Hersey, que foi criticado por ser muito parcial para o lado das vítimas, ser considerada um dos maiores clássicos do jornalismo-literário, sendo ela utilizada até hoje como argumento para muitos ativistas que lutam contra o fim do armamento nuclear.

Não há quem não se sensibilize com esse livro, que retrata com tanta fidelidade, mesmo com uma linguagem simples e clara, característica do gênero jornalístico, os eventos ocorridos no dia e após este memorável clarão que chocou o mundo.

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Sem sensacionalismos, John, considerado o percursor de um novo estilo de livro-reportagem por causa dessa obra, mostra da forma mais humanista, o drama e o sofrimento de quem viveu este fato e sofreu com o terror de uma guerra, fazendo com que repensemos e lamentemos por esse povo que se mostrou muito forte para passar por essa terrível situação. #leitura #JohnHersey