Em Uberaba-MG, esse segredo é revelado em uma das únicas fábricas de sinos artesanais do Brasil. Na FASU - Fundição Artística de Sinos de Uberaba, é conservada uma tradição nessa arte que foi se perdendo e se modernizando com o passar dos anos pelos atuais sineiros, que usam novos recursos onde os sinos ficam prontos em apenas 24 horas.

Porém, segundo José Donizetti da Siva - camponológico, fundador e sócio da FASU, o período de 30 a 40 dias que leva para que o sino artesanal fique pronto garante uma melodia mais nítida e harmoniosa, não soando como um barulho. José Donizetti aprendeu a confeccionar sinos com uma família de imigrantes italianos em São Paulo e diz que para atuar na função é necessário ser marceneiro, escultor, pedreiro e, mesmo não sendo um exímio conhecedor de música, é necessário ter um pouco de ouvido musical.

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O lado crítico da profissão está na fusão do material, é necessário trabalhar com mil graus de caloria, gerando alguns gases, sendo prejudicial à saúde.

O elenco musical (conjunto de notas) de cada sino é o que define seu tamanho e peso. Ex: Um LA BEMOL possui um diâmetro de 181 cm e um peso de 3300. A espessura, o diâmetro da boca e a qualidade do material, é o que compõe a excelência do sino.

É apresentado o elenco musical ao comprador, então, ele escolhe o sino que se adéqua a sua intenção como tamanho, som e preço. O público alvo é a igreja católica, igreja luterana (maior concentração no sul do país, Espírito Santo, Rondônia e lugares de colonização alemã). Geralmente, o tamanho e a quantidade de sinos é de acordo com o tamanho da igreja.

Também como clientela há as escolas, navios, locomotivas e compradores particulares.

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Diversos tamanhos são pedidos, e essa diversidade é uma boa opção para aqueles que gostam de usar os "sininhos" para chamar seus empregados ou enfeitar a casa.

Esse trabalho artesanal envolve várias etapas como um molde feito em barro, o uso da madeira, camadas de sebo animal e camadas de luto - mistura de pelos de cavalos, melado de cana de açúcar e barro, a fim de fixar os símbolos e letras quase sempre feitas de cera de abelha ou parafina. É chamado "macho" a parte interna do sino e de "fêmea" a camisa que modela o que vem por dentro.

Portanto, nota-se que é um trabalho minucioso que envolve várias etapas até chegar a conclusão de um sino melodioso e também bonito. Nenhum sino é igual ao outro porque torna-se na realidade um instrumento único. #Emprego #Religião #Cultura