Há 03 dias morreu o poeta brasileiro Ferreira Gullar, aos 86 anos, de insuficiência respiratória e pneumonia.

Dentre os seus poemas, um dos mais conhecidos certamente é “Não há Vagas”.

Não há vagas

O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão

(...)

Diferente de outros poetas, #Gullar não discursava sobre um coração partido ou angústia existencial nesses versos. Eles eram e são muito identificáveis à realidade de muitas pessoas ao comentar o preço dos alimentos, o desemprego, as dificuldades para sobreviver.

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Em 2016 Ferreira morreu, e alguém que procurava homenageá-lo publicou no Facebook uma #Poesia que o autor escreveu (talvez para um gato seu).

Até aqui apenas algumas coisas foram ditas sobre Ferreira Gullar:

Seu nome e nacionalidade brasileira, que ele escreveu um poema comentando sobre o preço do feijão (e outro sobre um bichano), e que morreu em dezembro de 2016. Outros fatos que se seguem são:

  • Seu nome completo era José Ribamar Ferreira;
  • Ele nasceu em São Luís no Maranhão;
  • O “Gullar” de seu nome veio do sobrenome da mãe, que era “Goulart” e ele adotou, abrasileirando-o;
  • Ferreira Gullar tinha uma grande paixão por gatos, e escreveu outros poemas para eles, além do que está acima, que foram publicados em um livro infantil chamado “Um gato chamado Gatinho”, com ilustrações de Angela Lago;
  • A cantora Adriana Calcanhoto fez uma música para “O ronron do gatinho”;
  • Ferreira Gullar escreveu também muitas outras coisas além dos poemas, como crônicas, uma coluna semanal para o jornal “Folha” e letras de melodias (algumas dessas letras foram reunidas no livro “Cancioneiro”);
  • Ferreira pintava quadros e ilustrava livros;
  • Ele ganhou, entre outros prêmios, o “Camões” em 2010, e o prêmio “Jabuti”, em 2011, esse último pelas ilustrações do livro “Bananas Podres”;
  • Foi exilado na época da ditadura militar brasileira;
  • E eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 2011;

Ferreira Gullar costumava dizer, nos últimos anos, que “a poesia nasce do espanto”, e, em virtude disso, ele não conseguia mais escrevê-la, por não mais se espantar.

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A seguir seguem alguns versos de uma canção escrita pelo autor e publicadas no livro "Cancioneiro" :

Menina Passarinho

Menina Passarinho,

que de tão mansinho

me pousas na mão

Donde é que vens?

De alguma floresta?

De alguma canção?

(...) #Arte