Noel de Medeiros Rosa nasceu na Rua Teodoro da Silva, 130, no bairro carioca de Vila Isabel, em 11 de dezembro de 1910. Foi o primogênito de Manuel e Marta de Medeiros Rosa. O parto foi difícil e o menino nasceu marcado pelo fórceps, que lhe fraturou e afundou o maxilar inferior, provocando também uma paralisia parcial do lado direito do rosto, o que lhe marcou as feições por toda a vida.

Era de família classe média e, em 1923, começou a estudar no Colégio São Bento, ganhando o apelido de “Queixinho”. Em alguns momentos, ficava quieto, remoendo seu problema no rosto; em outros, inventava brincadeiras e contava piadas.

Adolescente, aprendeu a tocar bandolim de ouvido, sob a orientação da mãe.

Publicidade
Publicidade

Depois, passou para o violão, instrumento que seu pai tocava. Aos 15 anos, já dominava o instrumento, à sua maneira. Pouco a pouco, o violão foi substituindo os livros. Estudava apenas para não ser reprovado. Fez suas primeiras aparições no Ponto de Cem Réis, que reunia os rapazes “folgados” do bairro. Lá, bebeu as primeiras cervejas, fez as primeiras serenatas e viveu as primeiras aventuras amorosas.

Em 1931, entrou para a Faculdade de Medicina e passou a ser integrante de vários grupos musicais, entre eles o “Bando de Tangarás” (desde 1929), ao lado de João de Barro (o Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito.

As primeiras composições

Em 1929, fez suas primeiras composições: “Minha Viola” e “Festa no Céu”. Mas o sucesso chegou em 1930, com o lançamento de “Com Que Roupa?”, gravada para o carnaval de 1931.

Publicidade

Vendeu 15.000 discos, número expressivo para a época. Era impossível, então, conciliar a faculdade e a vida de artista. Perdia-se um médico medíocre e ganhava-se um grande sambista. Em 1931, gravou mais de 20 composições, entre elas “Gago Apaixonado”. Começou a aparecer nas primeiras emissoras de rádio, como a Rádio Sociedade, a Rádio Clube do Brasil, a Rádio Mayrink Veiga, a Rádio Educadora e a Rádio Philips.

Parceiros

O grande astro da época, Francisco Alves, resolveu, em 1932, criar um novo trio de compositores, com Ismael Silva e #Noel Rosa. Na verdade, quase todas as músicas eram de Ismael e Noel, entrando Chico Alves apenas com o nome e a fama. Daí, nasceram “Adeus”, “Assim, Sim” e “Para Me Livrar do Mal”.

Outras parcerias surgiram: Heitor dos Prazeres (“Pierrô Apaixonado”), Orestes Barbosa (“Positivismo”), André Filho (“Filosofia”), Kid Pepe (“O Orvalho Vem Caindo”), João de Barro (“Pastorinhas”) e muitas outras.

Porém, o grande parceiro de Noel foi o paulistano Osvaldo Gogliano, o #Vadico.

Publicidade

Com ele fez “Feitio de Oração”, “Feitiço de Oração” e “Conversa de Botequim”, três peças antológicas da MPB, além de outras composições.

Na Rádio Educadora, conheceu a cantora Aracy de Almeida, que se tornou uma de suas principais intérpretes.

A morte

Noel Rosa varava a noite bebendo cerveja. Quando sóbrio, era muito tímido. Evitava comer perto dos outros, pois mastigava com dificuldade. Alimentava-se apenas de caldos, ovos e comidas leves. Já em 1934, começou a apresentar manchas ameaçadoras nos pulmões. A conselho médico, foi procurar o clima seco de Belo Horizonte. Melhorou e, em setembro de 1935, estava de volta ao Rio de Janeiro. No entanto, não mudou seu estilo de vida. Faleceu em sua casa, no bairro de #Vila Isabel, em 4 de maio de 1937, aos 26 anos, em consequência da doença que o perseguiu sempre: a tuberculose. Sua esposa, Lindaura, e sua mãe, Dona Martha, cuidaram dele até o fim.

Com ele, o samba, antes preto e pobre, penetrou nos lares da classe média da Zona Norte carioca.