A espera dos fãs finalmente acabou. #Hardwired…To Self-Destruct é o nome do 11º álbum de estúdio do Metallica, o 10º de canções inéditas, que resgata a sonoridade original dos músicos californianos, assume suas tendências comerciais sem vergonha e reforça o título de banda de #Metal mais importante de todos os tempos. E os fãs podem comemorar, pois este é o melhor trabalho da banda desde o famoso álbum preto, no longíquo ano de 1991.

O hiato entre o novo álbum e Death Magnetic, disco de 2008, fez bem à banda. Há tempos o #Metallica não apresentava um trabalho tão consistente e poderoso – vide aquela bagunça chamada Lulu, feita em parceria com Lou Reed em 2011.

Publicidade
Publicidade

É impressionante o grau de energia e fúria que exala em cada faixa.

“Somos quatro caras furiosos”, afirmou o guitarrista Kirk Hammett numa entrevista coletiva em Paris na semana de lançamento do disco. “Essas canções foram escritas com muita fúria, muita agressividade”. Realmente, não dá para duvidar disso. Hardwired…To Self-Destruct (em tradução livre, Programado…Para se Autodestruir) é uma verdadeira porrada na cabeça, e das boas!

Gravado entre maio de 2015 a agosto deste ano, no estúdio que a banda mantém em San Rafael, na Califórnia, o disco tem a produção assinada pelo vocalista James Hetfield e pelo baterista Lars Ulrich em parceria com Greg Fidelman, engenheiro de som experiente, que já trabalhou com gente do calibre de Johnny Cash, U2, Adele e bandas mais pesadas, como Slipknot e Slayer.

Publicidade

Fidelman já havia trabalhado antes com a banda - foi engenheiro de som em Death Magnetic e produziu o intragável Lulu.

Fúria e maturidade

Lançado oficialmente no dia 18 de novembro, com direito à transmissão ao vivo pelo YouTube, o álbum não é apenas furioso (no melhor conceito da palavra), também mostra uma banda amadurecida, segura, com os pés fincados na sonoridade que os levou ao sucesso mundial. As letras são consistentes, duras e falam, de um modo geral, da decadência humana em detrimento de egoísmo e uso excessivo de tecnologia.

“Em nome do desespero, em nome da dor miserável, em nome de toda criação, enlouqueci! Somos tão fodidos, azarados de merda, programados para autodestruição”, grita Hetfield na primeira faixa, “Hardwired”, a de menor duração do disco. Rápida e agressiva, remete aos primórdios da banda – ecos do primeiro disco, Kill’ Em All, podem ser identificados até mesmo pelo “metaleiro” casual - aquele indivíduo que só presta atenção às bandas que considera impecáveis.

Publicidade

E assim o álbum segue, evocando suas diferentes fases, de Master of Puppets, de 1984, passando pelo sucesso comercial de Metallica, o famoso álbum preto de 1991, até o discutível Load, de 1996, apresentando elementos de bandas como Black Sabbath, Iron Maiden e até Alice In Chains, e prestando homenagens aqui e ali – a mais evidente (e bonita) em “Murder One”, escrita para Lemmy, vocalista do Motörhead, falecido em dezembro do ano passado.

No total, o álbum traz 12 faixas distribuídas em quase 80 minutos ininterruptos de porrada sonora. Não há uma única balada no disco - e simplesmente não faz falta. Hardwired…To Self-Destruct também saiu em versão Deluxe, que traz um disco a mais com 14 faixas, entre sobras de estúdios e versões ao vivo, totalizando uma experiência de mais de duas horas e meia, para fã nenhum reclamar tão cedo dos caras.

O álbum está disponível em todos os serviços de streaming de música.