O Memorial da América Latina pegou fogo no sábado, dia 3, mas apenas no sentido metafórico, claro. O centro cultural foi palco do primeiro Rolling Stone Festival, evento que reuniu 16 representantes do rock nacional em mais de 12 horas de música, homenagens e discursos inflamados contra a atual conjuntura política do país.

Distribuídas entre dois palcos, bandas como Camisa de Vênus, Ira!, Titãs, Capital Inicial, Sepultura e o roqueiro Frejat se digladiaram com algumas das novas caras do rock, como Plutão Já Foi Planeta, Bellamore, Playmobille, Far From Alaska e Scalene, numa verdadeira celebração do rock nacional.

A atual situação do gênero musical na mídia também foi alvo de observações.

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“Acho que temos hoje muito menos espaço do que tínhamos dez anos atrás, ou até cinco anos atrás”, discursou Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, principal atração do #festival. “Mas você vê renovação, vê sangue novo pintando”, completou, citando o reconhecimento das bandas Far From Alaska e Scalene, ganhadora do Grammy Latino de melhor álbum de rock em português este ano.

Dinho ainda criticaria a atual conjuntura política do país, dedicando a canção “O Cristo Redentor” ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, preso na Operação Lava Jato, e atacando o presidente do Senado, Renan Calheiros. “Quando vejo esse cara, lembro do Darth Vader”.

Chuva implacável

O evento começou ao meio-dia, quando os portões foram abertos, mas nessa hora o público ainda era tímido. O espaço amplo acabou deixando o ambiente perfeito para se conhecer tudo do festival, que recebeu gerações de roqueiros de todas as idades.

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A potiguar Plutão Já foi Planeta deu início aos shows. O quinteto de Natal (RN) mostrou domínio ao apresentar as canções de Daqui Pra Lá, seu disco de estreia, a uma pequena plateia de fãs.

Com boas apresentações no geral, todas as bandas acabaram se destacando – inclusive o subestimado Supla, que subiu ao palco às 14 horas e fez um show competente e com momentos empolgantes. O músico aproveitou para anunciar seu novo disco, Diga O Que Você Pensa.

O Camisa de Vênus fez um show perfeito, pautado nos seus grandes clássicos. Playmobille e Bellamore mostraram porque são dois dos grandes nomes do novo rock brasileiro, e o Ira! tocou sucessos e músicas obscuras de seu repertório em um show intimista.

Até que, por volta das 16 horas, o céu desabou sobre o Memorial da América Latina, interrompendo o festival. O maior prejudicado foi o músico Paulo Ricardo, que se viu obrigado a cancelar sua apresentação para não atrasar ainda mais o evento, que só retomaria os shows uma hora depois.

Chapecoense

O Rolling Stone Festival também foi palco de homenagens.

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“Dedico esta música, que pode até nem ter muito a ver com o que aconteceu com o Chapecó, mas eu dedico de coração a todos nossos amigos que partiram”, disse o vocalista da Playmobille, Gabriel Mello, antes de tocar “Quarto de Espelho”.

“Esta música é dedicada a todos os nossos irmãos que nos deixaram esta semana”, disse o vocalista do Ira!, Nasi, aos primeiros acordes de “Vida Passageira”. Da mesma forma, antes de entoar a bela “Hoje Cedo”, o rapper Emicida bradou: “Eu quero dedicar esse momento aos nossos irmãos que tiveram seus sonhos interrompidos”.

Os integrantes do Titãs vestiram a camisa do Chapecoense para encerrar o show com “Flores”, em um dos momentos mais bonitos do dia. E, ao final do show do Capital Inicial, o vocalista Dinho Ouro Preto lembrou de uma apresentação em Chapecó, quando conheceu parte da diretoria do time. Emocionado, emendou “Por Enquanto”, clássico da Legião Urbana.

Festival anual

O primeiro Rolling Stone Festival aconteceu em comemoração aos dez anos de publicação da revista Rolling Stone, buscando homenagear o rock nacional e também, segundo os organizadores, apontar novas direções e empreendimentos da marca no Brasil.

Se o resultado for alcançado, haverá uma segunda edição do festival já em 2017. #Chapecoense #RollingStone