Atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, "La La Land: Cantando Estações", o terceiro longa-metragem do cineasta norte-americano Damien Chazelle, é uma pequena pérola em um mercado dominado por explosões, robôs alienígenas, super-heróis, distopias apocalípticas, espiões invulneráveis e romances chorosos.

O filme não só resgata com charme e maestria um gênero há muito relegado, como também consegue olhar adiante, quase que reiventando a roda que o move - algo como um frescor nostálgico. Sim, estamos falando de musicais, aqueles filmes em que os personagens começam a cantar sobre suas vidas no meio de uma cena.

O público alvo óbvio parece ser quem cresceu assistindo a musicais, seja no #Cinema ou na velha Sessão da Tarde.

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Mas é justamente nesse ponto que Chazelle inova. A história do pianista Sebastian (Ryan Gosling) e da aspirante a atriz Mia (Emma Stone) em busca de seus sonhos numa Hollywood moderna e ao mesmo tempo tradicional tem potencial para arrebatar todos os corações, inclusive de quem cresceu chorando com os "Crespúsculos" e "Jogos Vorazes" da vida.

Fantasia, otimismo, romance e sacrifício são embalados num roteiro inteligente, que separa os atos seguindo as estações do ano e emenda as cenas com números musicais dignos que homenageiam clássicos óbvios como "Guarda-Chuvas do Amor" e "Cantando na Chuva" - a sequência de abertura, por exemplo, é simplesmente de cair o queixo.

As atuações também são soberbas. Gosling e Stone formam aquele tipo de casal que o público torce até para que continuem o romance na vida real - os dois já haviam trabalhado juntos em 2011, na comédia “Amor À Toda Prova”, mas aqui a empatia transborda pela tela.

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O músico norte-americano John Legend, que também é um dos produtores do filme, faz bonito como Keith, uma espécie de amigo/inimigo de Sebastian.

Como não poderia deixar de ser, um dos grandes destaques do filme é sua trilha sonora. E o responsável por ela é um roteirista e compositor chamado Justin Hurwitz. Parceiro de longa data de Chazelle, Hurwitz também foi responsável pelas trilhas dos filmes anteriores do diretor, mas é em “La La Land” que ele tem seu maior destaque.

Todas as canções são simplesmente deliciosas e o conjunto da obra é de fazer o queixo cair, mesclando nostalgia e modernidade, bem o que o filme acaba discutindo também – o que não é pouco em um mercado abarrotado de compositores cansados ou sem identidade musical.

Na sensacional sequencia final, o filme vai além do óbvio e do comum, transbordando sensibilidade e retomando possibilidades, ao mesmo tempo em que ressalta aquele momento único na vida de quem um dia dividiu sonhos com alguém, mas que acabou seguindo um caminho diferente.

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Imperdível.

Damien quem?

Damien Chazelle tem apenas 32 anos e já está sendo considerado o novo gênio de Hollywood. Apareceu oficialmente em 2009, ano em que escreveu, produziu, dirigiu e editou o elogiado filme independente “Guy and Madeline on a Park Bench” – até fez uma ponta como o instrutor de bateria. O filme também é um musical e visto hoje até parece uma espécie de protótipo de “La La Land”.

Mas foi apenas em 2014 que Chazelle chamou realmente atenção do público com “Whiplash: Em Busca da Perfeição”, filme visceral que mostra um jovem e ambicioso músico (Miles Teller) duelando com seu mestre (J. K. Simmons) atrás da batida perfeita – curiosamente, um ano antes, Chazelle já havia feito um curta-metragem com o mesmo roteiro.

“Whiplash” foi indicado a seis #Oscar em 2015 e acabou levando três – Ator Coadjuvante (Simmons), Montagem e Mixagem de Som.

Como roteirista, Chazelle tem no currículo algumas pérolas como “O Último Exorcismo – Parte 2”, “Rua Cloverfield, 10” e o suspense “Toque de Mestre”, filme de 2013 estrelado por Elijah Wood (“O Senhor dos Anéis”) que merece ser conhecido.

Depois de levar sete prêmios no Globo de Ouro deste ano, a expectativa é que Chazelle repita a façanha na noite de 26 de fevereiro na 89ª cerimônia do Oscar e faça história - "La La Land" foi indicado a 14 estatuetas. #critica