A vizinhança acompanhou de perto a transformação de um espaço que antigamente abrigava um boteco decadente, conhecido como ponto de encontro de usuários de drogas em um lugar que foi ganhando cor e vida. Na esquina da Rua Condessa de São Joaquim com a Rua dos Bororós, no bairro da Bela Vista, Iran Giusti abriu as portas para que todos pudessem acompanhar a evolução do trabalho. Inaugurada oficialmente no dia 25 de Janeiro com uma festa que animou a região, a Casa 1 é um centro cultural e centro de acolhimento para LGBTs em situação vulnerável. O nome foi escolhido em referência ao objetivo do espaço de oferecer uma nova oportunidade às pessoas.

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Giusti conta que o desenvolvimento do projeto começou quando ele, morador da região, ofereceu sua própria casa para abrigar LGBTs que fugiram de casa e mulheres em situação de risco. Mas a demanda foi maior do que ele imaginou. Com a ajuda de um financiamento coletivo começou a campanha para por em prática o projeto que tinha idealizado no papel. Em 42 dias arrecadou R$ 112 mil com a ajuda de 1044 benfeitores. O dinheiro arrecadado serviu reformar e pagar o aluguel do imóvel pelo prazo de um ano. O sobrado hoje conta com espaço administrativo, sala de exposição, sala para cursos e um alojamento para até 12 pessoas. Em breve abrirão novos financiamentos coletivos para a manutenção e ampliação do projeto.

Com a ajuda de muitos parceiros, voluntários e a divulgação pelas mídias online a Casa 1 aconteceu.

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Hoje, a gestão está a cargo de Iran Giusti, Otávio Salles e dois voluntários fixos. Mesmo antes da inauguração a casa já contava com cinco moradores. Iran destaca que cada caso é avaliado individualmente, se necessário é solicitada a ajuda de médicos e psicólogos, mas também orientam pessoas que querem assumir sua sexualidade e tem medo das possíveis consequências. Quem quiser entrar em contato, para ajudar como voluntário ou para contar com os serviços da casa, pode procurar a Casa 1 nas redes sociais.

Diversidade cultural e ampliação do projeto

O centro cultural contará com diversas atividades como exposições, cursos, palestras e workshops, algumas serão gratuitas e outras serão pagas para ajudar na manutenção da casa. O preço cobrado será popular para que mais pessoas tenham acesso. O bairro terá papel de destaque na programação. Iran conta que durante os preparativos para a inauguração, receberam muitos idosos curiosos, perguntando sobre o que seria oferecido na casa. Pensando nisso, em breve vão promover o projeto Adote um avô/avó que visa reunir idosos e LGBTs e fazer essa ponte entre gerações, gêneros e orientações sexuais.

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" Ficar só entre LGBTs não é diversidade", argumenta Iran e complementa, " é preciso ter esse diálogo com o bairro para fazer a mudança que nós queremos".

Os idealizadores do projeto acreditam que o centro cultural trouxe para os moradores uma nova maneira de viver e de pensar, já que tudo foi feito coletivamente. Há mil ideias que podem extrapolar a casa e ampliar essa coletividade buscando o que o bairro precisa e o que os moradores querem.

Giusti narra uma cena que mostra o que a #Cultura pode proporcionar. "Logo que abrimos as portas vieram dois meninos e pediram para ver os livros, os voluntários entregaram a eles alguns livros infantis que tínhamos, logo depois eles voltaram com mais dez meninos. Isso mostra que a mudança que nós propomos é possível". #crowdfunding #LGBT