Para descobrir que, em Nova York, o movimento do comércio cai de 15% a 20%, ou que as faxineiras do Empire State Building encontravam cerca de 5 mil dólares por ano nas 3 mil salas deste edifício, apenas indo às ruas da cidade que nunca dorme para descobrir. É isso que faz o autor Gay Talese em seu livro “#fama e anonimato”.

Recheado de informações sobre o cotidiano dos moradores de Nova York, Talese se expressa com toda a pieguice concreta da cidade. Fama e anonimato traz o que mais tarde seria chamado de “novo jornalismo” ou jornalismo literario, reunindo três séries de reportagens com textos de alta qualidade aliado a narrativa poética e utilizando-se, ainda, da ironia.

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O livro é divido em três partes. A primeira, intitulada “Nova York: a jornada de um serendipitoso”, quando o autor lapida uma descrição sobre a cidade, um detalhamento sobre Manhattan, sobre o trânsito, sobre a ponte George Washington e até sobre os falcões que rodeiam e vigiam Nova York. Nessa primeira parte o autor ainda relata algumas profissões peculiares, como um psicólogo de gatos que mora na Lexington Avenue ou um passeador de cães que mora nas imediações da East Seventies Street. Encerrando essa primeira parte, Talese reconhece os “esquecidos” da cidade.

Gay Talese fala, ainda, na segunda parte de seu livro, “A ponte”, sobre os construtores de pontes, que geram o boom de Nova York, sendo este o ponto de vista dos nova-iorquinos que não eram afetados pelas obras e viam o surgimento destes monumentos.

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Ainda relata acidentes e mortes nas obras, como a de Gerard Mckee, um dos boomers de Nova York, e protestos de como a construção da ponte Verrazano-Narrows, por exemplo, causou desconforto em Bay Ridge, no Brooklyn, ao exigir que pessoas abandonassem seus lares.

Na terceira parte de seu livro, “Excursão ao interior”, o autor retrata algumas personalidades como a do ator e cantor Frank Sinatra, que foi descrito com um humor muito volátil e de características facilmente mutáveis. Relata ainda o perfil do ex-lutador de boxe Floyd Patterson e consegue arrancar do próprio lutador os motivos pelo qual não conseguiu encarar seu adversário minutos antes da luta.

Se utilizando de muita técnica e de recursos literários em sua narrativa jornalística, Talese deixa o texto com uma leitura muito agradável e ainda critica em seu prefácio aqueles que acham que o jornalismo literário é uma ficção, dizendo “Ele é, ou deveria ser, tão fidedigno quanto a mais fidedigna reportagem (...)”.

Para aqueles que desejam ter o jornalismo como profissão, “Fama e anonimato” é de leitura fundamental, pois mostra o jornalismo como ele realmente deveria ser feito. Indo às ruas, entrevistando e conhecendo pessoas não somente de forma superficial e enxergando os cidadãos apenas como fontes e ainda ressalta que se o jornalista souber fazer as perguntas certas, conseguirá imiscuir-se no pensamento mais íntimo do entrevistado. #DicaDeLeitura #GayTalese