É quase uma obrigação de todo o jovem querer mudar o mundo e contestar o que está estabelecido. Enquanto que a "#Revolução" atual é digital e a palavra de ordem é "conectar", em #1968 os questionamentos eram outros.

A geração dos chamados "baby-boomers", que cresceu no pós-guerra, levantou bandeiras contra o preconceito, a discriminação sexual e racial, inventou a minissaia e o movimento hippie, protestou contra a Guerra do Vietnã. Os Beatles abandonaram o estilo de meninos bem comportados e mergulharam no psicodelismo. Esta revolução, que começou em 1966 e foi até 1970, é o tema de uma #Exposição no Museu Victoria & Albert, em Londres.

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Intitulada "You Say You Want a Revolution?" (Você diz que quer uma revolução?), é uma viagem no tempo.

No Reino Unido, há cinquenta anos, somente mulheres casadas tinham permissão para comprar pílulas anticoncepcionais, o aborto e a homossexualidade eram ilegais, ainda havia pena de morte por enforcamento, o divórcio era mal visto e a discriminação racial era regra. Não era esta a sociedade que a juventude londrina queria para viver. Como berço do movimento que rapidamente se espalhou pelo planeta, Londres foi o palco principal desta grande revolução de costumes e comportamento. A Carnaby Street, que foi reproduzida na exposição, era o "point" da época, onde jovens se encontravam e criavam a própria moda. Também fazem parte da mostra algumas raridades, como a letra de "Lucy in the sky with diamonds" escrita à mão e cenas do filme "Blow-up", de Michelangelo Antonioni.

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Mas a mostra não se limita à capital inglesa. Com 350 objetos e uma esplêndida trilha sonora, com músicas dos Beatles, Rolling Stones, Doors e vários dos artistas que participaram do Festival de Woodstock, lembra alguns outros episódios marcantes, como o "Maio de 1968" em Paris, quando os universitários promoveram uma greve geral e ergueram barricadas nas ruas do Quartier Latin, no que foi chamado de ato revolucionário contra o governo. Em 1969, aconteceu nos Estados Unidos o histórico Festival de Woodstock, quando 32 músicos se apresentaram para um público de 400 mil pessoas, assinando a contracultura.

Apenas para situar o Brasil neste contexto, aqui se vivia o endurecimento do regime militar. No mesmo 1968, foi decretado o Ato Institucional 5 (AI5) que, além de conceder poderes ilimitados ao então presidente General Costa e Silva , suspendia os direitos constitucionais. Ato contínuo, intelectuais e artistas rumaram para o exílio, alguns deles, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, foram morar em Londres no ano seguinte e, como não poderia deixar de ser, passaram a fazer parte da revolução social. Prova dos contrastes existentes entre o Brasil e o Primeiro Mundo à época, é a bela canção "London, London", de Caetano.

"Faça amor, não faça guerra", slogan do movimento, não durou muito, mas as conquistas desta geração ficaram para sempre e continuam em pauta.