A madrugada avançava quando me deparei com um #Filme de Oswaldo Montenegro no YouTube, e confesso que decidi ver o “Perfume da Memória” por ser dele - O que esse “cantor-poeta louco” fazia pelos caminhos da sétima arte?

Ajeitei-me na cama e preparei-me para ver algo que me surpreende-se – porque é isso que sempre espero do cantor, com suas canções que mais parecem poemas, criados dos momentos mais inesperados da vida ou das dores mais vivenciadas, mas que poucos conseguem falar e muito menos cantar.

Confortável em meio aos meus travesseiros, analisei superficialmente o que iria ver e percebi que estava prestes a passar 1 hora e 12 minutos assistindo à um filme com duas mulheres conversando dentro de uma sala de uma bela casa.

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Achei que não iria aguentar o tédio. Por maior que fosse a minha admiração pela obra do cantor, eu não conseguiria, de madrugada, assistir a um “quase monólogo”. Mas havia um ponto positivo, supus: o sono viria mais rápido!

Ledo engano. Ver aquelas duas mulheres tão diferentes e fascinantes compartilhando suas experiências, temores e desejos era absolutamente inebriante. Assisti tudo e ainda vi umas outras tantas vezes só para apreciar melhor cada frase, cada cena e cada melodia de sua bela trilha sonora.

Não é à toa que "O Perfume da Memória" ganhou o Prêmio "California Film Awards" como melhor Filme Estrangeiro e teve também sua trilha sonora premiada, vencendo na categoria de "Melhor Música" no Festival Internacional de Toronto.

As atrizes Amandha Monteiro e Kamila Pistori estão perfeitas em seus papéis (Laura e Ana), cada uma com visões totalmente diferentes do amor, dos relacionamentos e talvez da vida.

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Sem levantar bandeiras, a trama mostra o florescer do amor entre duas mulheres que, apesar de todas as suas diferenças, se completam de forma encantadora. Como a própria atriz Amandha Monteiro me disse em entrevista (que você vê abaixo), o romance poderia ser entre um homem e uma mulher, entre dois homens ou, como no filme, entre duas mulheres.

O belo é ver a descoberta, a delicadeza do amor florescendo inexplicavelmente, sem barreiras e sem expectativas. Um verdadeiro turbilhão de emoções que envolve o expectador do início ao fim.

Como toda obra de Oswaldo Montenegro, o filme é, sem dúvida alguma, poético. Sem cair no marasmo ou monotonia. O expectador é conduzido pela trama através da narração do próprio Oswaldo, que utiliza de textos, canções e da participação de duas musicistas (a violoncelista Janaína Salles e a flautista Madalena Salles), que interligam suavemente as cenas da trama, levando o expectador ao entendimento da alma das duas personagens.

O Perfume da Memória não é um filme qualquer é um daqueles filmes que literalmente ganham o seu espaço no disputado mundo da sétima arte.

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Provavelmente não baterá recordes de público, como as milionárias tramas hollywoodianas, mas tem o seu lugar garantido entre as obras que marcam pela sua delicadeza e qualidade técnica.

Endossando minhas breves palavras, vale a pena citar o comentário do crítico de Cinema de “O Estado de São Paulo”, Rodrigo Fonseca: O filme tem uma direção de arte brilhante de Raique Macau e as músicas mais bonitas que Oswaldo Montenegro compôs nos últimos anos. Ele chega aqui no limite que separa o diretor do cineasta. O diretor é aquele que dirige planos, o cineasta constrói universos. Nesse filme, Oswaldo Montenegro se tornou um cineasta. Um artista absolutamente singular, no cinema e na cultura brasileira”.

Encantada com a obra, procurei o elenco do filme e tive o prazer de conversar com a atriz Amandha Monteiro, intérprete da personagem Laura, que, é claro, contou algumas peculiaridades de "O Perfume da Memória" e falou sobre sua carreira.

Assista O Perfume da Memória: Veja o filme completo #Perfumedamemoria #OswaldoMontenegro