Lançado em dezembro na Comic Con Experience 2016, o encadernado "#Ronin - Edição Definitiva", verdadeiro clássico do quadrinhista americano #Frank Miller (Sin City), finalmente ganhou uma versão brasileira. Originalmente lançado em outubro de 2014 nos EUA, o calhamaço de 340 páginas chegou com certo atraso ao mercado brasileiro, mas a espera valeu muito a pena.

Escrita e desenhada por Miller e publicada como minissérie em seis edições pela DC Comics, a editora de Batman e Superman, "Ronin" foi um verdadeiro marco para a indústria americana de histórias em #Quadrinhos, misturando a narrativa dos mangás (os quadrinhos japoneses) com a estética dos quadrinhos europeus.

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Visivelmente inspirado por "O Lobo Solitário", de Kazuo Koike e Goseki Kojima, e também pelo trabalho do francês Jean "Moebius" Giraud (Arzach, Incal), Miller teve total liberdade criativa na produção de sua obra mais aclamada pela crítica e contou ainda com a parceria da premiada colorista Lynn Varley, na época sua esposa, que criou uma palheta de cores pasteis que evolui com a narrativa, junto com o desenvolvimento de seu personagem principal.

Na trama, no Japão feudal, um jovem samurai vê seu mestre ser assassinado por um demônio, tornando-se um ronin, um samurai sem mestre. O guerreiro busca vingança e acaba aprisionado com a criatura em uma espada encantada. Séculos depois, os dois acabam sendo libertados numa Nova York consumida pelas grandes corporações, pela violência e pelo excesso de tecnologia.

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Mas talvez nem tudo seja o que parece ser.

Boa introdução e extras pobres

Ao primeiro olhar, "Ronin - Edição Definitiva" parece mesmo uma versão caprichada - estão lá a capa dura, os detalhes em verniz na impressão e o acabamento que todo livro bem cuidado merece. Mas quando comparada à versão americana tudo muda de figura, começando pela capa, que nos EUA é, na verdade, uma jacket (ou luva, por aqui). A editora Panini, responsável pelo lançamento do encadernado por aqui, decidiu abrir mão desse recurso, provavelmente por questões de custos.

Outro ponto realmente negativo da edição são os extras. Apesar do excelente texto de introdução de Jenette Kahn, editora da DC Comics responsável pela publicação de Ronin – ela narra passo a passo como persuadiu Miller, que na época estava na Marvel Comics, a publicar seu novo trabalho na DC -, o que se vê é um punhado de esboços conceituais, pôsteres e peças de publicidade e a reprodução de algumas páginas originais em preto e branco, totalizando 12 páginas de realmente pouca coisa.

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Em nenhum momento é mostrado como foi o processo de criação dessa obra essencial, o que é realmente uma pena.

Mas apesar desses pequenos deslizes, "Ronin - Edição Definitiva" é um bom investimento pela óbvia qualidade do texto de um artista em seu auge criativo (Miller ainda faria as excelentes "Batman - O Cavaleiro das Trevas" e "Batman - Ano Um" para a DC), pela importância que a obra tem para as histórias em quadrinhos ocidentais e por sua impressão bem cuidada - a sequência da página quádrupla, publicada pela primeira vez no Brasil como na edição original, é simplesmente de cair o queixo e faz valer cada centavo.

O Quê: Ronin – Edição Definitiva

Quem: Frank Miller e Lynn Varley

Quanto: R$ 92,00