Em cartaz até o dia 24 de abril, a exposição gratuita “Abraham Palatnik – a reinvenção da #pintura” exibe obras do artista brasileiro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ). Palatnik nasceu em Natal-RN em 1928 e foi um dos pioneiros da #Arte cinética, ou seja, que se caracteriza pelo movimento ou por gerar no público uma impressão de mobilidade. O potiguar também teve contribuição representativa por sua articulação entre invenção e experimentação e pelo uso da tecnologia em seu trabalho.

Com curadoria de Pieter Tjabbes e Felipe Scovino, a exposição apresenta 85 obras feitas entre 1940 e 2016, um acervo composto por aparelhos cinecromáticos, objetos cinéticos, pinturas, objetos lúdicos, mobiliário e desenhos de projetos.

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Aparelhos cinecromáticos e objetos cinéticos chamam a atenção dos visitantes

Dentre este variado material, capta mais atenção do público os dois primeiros tipos, ambos invenções de Palatnik e que combinam arte e tecnologia. Em uma sala escura estão expostos os aparelhos cinecromáticos, caixas com lâmpadas deslocadas por motores que criam uma tela com luzes e cores em movimento.

Na sala ao lado, estão exibidos os objetos cinéticos. São aparelhos compostos por hastes ou fios metálicos, tendo em suas extremidades placas em madeiras com formas de figuras geométricas que se movimentam de maneira lenta, acionadas por motores e, em alguns momentos, por eletroímãs.

Influência pela arte de pacientes psiquiátricos

Com quatro anos, Palatnik saiu de Natal e seguiu com a família para a Palestina, onde realizou estudos de mecânica e física e se especializou em motores de explosão .

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Ali, teve contato com a arte ao frequentar um ateliê livre e participa de aulas de pintura e modelo-vivo. Retorna ao Brasil no fim dos anos 40 e é convidado pelo amigo Almir Mavignier para visitar o Hospital Psiquiátrico Pedro II, coordenado pela Dra. Nise da Silveira.

Fica impressionado com as obras criadas pelos pacientes esquizofrênicos, especialmente Raphael Domingues e Emydgio de Barros, que deram um novo significado sobre arte para o potiguar. A partir daquele momento, um dos pioneiros da pintura em movimento abandonava, por um tempo, os pincéis e se concentrava no estudo do cinetismo. Pela influência que tiveram na carreira de Palatnik, a exposição disponibiliza duas pinturas em guache sobre papel feitas por Barros e quatro desenhos de Domingues, produzidos com nanquim e bico de pena sobre papel.

Aproximação de suas obras com o cotidiano

Em uma das salas do evento, estão expostas peças mobiliárias feitas por Palatnik: uma poltrona, itens mobiliários e mesas com tampas de vidro pintadas.

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Tal produção é oriunda de um objetivo: integrar a arte concreta à vida cotidiana. O trabalho artístico foi deslocado para a indústria, em 1954, o talentoso potiguar criou com seu irmão uma fábrica de móveis, Arte Viva, que funcionou até a década seguinte. Na década de 1970, também junto de seu irmão, criou a Silon, fábrica que produziu objetos de design e durou até 2001.

A exposição começou no CCBB Brasília, passou pelo Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, Museu de Arte Moderna de São Paulo e Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, antes de chegar ao #CCBB RJ, no mesmo momento em que Palatnik celebra 70 anos morando na Cidade Maravilhosa. Este centro cultural carioca fica localizado na Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, e funciona de quarta a segunda das 9h às 21h. Outras informações no site: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/rio-de-janeiro.

O vídeo abaixo foi feito quando a exposição estava no CCBB Brasília, mas é o mesmo material que está sendo exibido no Rio de Janeiro.