O grafite nasceu nos anos 60, junto com três outras manifestações artísticas do hip-hop, movimento gerado nos guetos norte-americanos. Jovens do Bronx, bairro de Nova York , nos EUA, desenhavam com tintas spray nos muros da cidade para chamar atenção, geralmente, de questões sociais ou ordem política, dando início a um grande movimento de arte urbana.

A palavra é italiana, e significa escrita feita com carvão. As gravuras em grafite são reconhecidas também no Império Romano, quando os povos utilizavam carvão para transcrever seus protestos nas paredes.

Esse tipo de arte já foi vista como vandalismo contra o patrimônio público e poluição visual.

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Hoje, para mostrar à população a verdadeira intenção do grafite e o potencial dos artistas, foram desenvolvidos diversos projetos que visam, principalmente, profissionalizar a arte e dar oportunidade aos grafiteiros de manifestarem suas ideias em forma de arte, sem comprometer o patrimônio público.

O Grafite tem marcado de vez a arte contemporânea não só no Brasil, mas ao redor do mundo. Os artistas hoje vêem suas obras como parte cultural da sociedade onde podem se manifestar artisticamente a crítica com uma linguagem popular. Atualmente, a população consegue apreciar a beleza estética dos traços e debater os temas propostos pelos desenhos, em meio ao caos da vida nos grandes centros urbanos.

Em janeiro de 2017, João Dória pintou diversos muros que continham grafites na cidade de São Paulo de cinza, com a justificativa de algumas obras estavam deterioradas ou com pichações por cima.

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Está ação foi nomeada de "Cidade Linda". Em fevereiro deste mesmo ano, a Justiça proibiu o prefeito de apagar as obras sem o aval do Conselho do patrimônio Histórico, em caso de descumprimento, a multa será de R$ 500 mil reais.

#eduardo kobra, é o rosto, e as mãos, por trás do maior mural da América Latina, que se encontra na Avenida 23 de maio, feito para o aniversário de São Paulo, em 2009. A obra foi parcialmente apagada, recentemente, pela atual gestão do prefeito João Dória. O mural possuía mil metros quadrados e a parte mais alta tinha cerca de oito metros de altura, hoje sobraram apenas 8 painéis, dentre eles, o do artista Eduardo Kobra.

Kobra é um dos artistas com maior reconhecimento dentro e fora do Brasil, nasceu na periferia de SP. Iniciou seus trabalhos por volta da década de 80, pichando as paredes da escola onde estudava.

Segundo ele, nesta época, este tipo de arte era visto como vandalismo contra o patrimônio público e visual.

Seu principal diferencial é produzir painéis gigantescos nas cidades, com cenas tão reais que até parecem fotografias.

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Entre seus principais projetos estão “Muros da Memória”, que retratam fases importantes da cidade e “Green Pincel”, que denuncia os maus tratos do ser humano à natureza e aos animais.

O artista foi convidado para fazer uma intervenção em Moscou, para pintar o mural da Maya Plisetskaya, e acabou aproveitando a oportunidade para deixar uma obra em forma de protesto, contra a prisão de Ana Paula Maciel (ativista brasileira do greenpeace presa durante protesto, em 2013).

A convivência exacerbada com a tinta lhe rendeu contaminação por metais como chumbo e mercúrio, com graves problemas respiratórios, que o incomodam até hoje.

Artistas renomados brasileiros ganham cada vez mais espaço no exterior. Eduardo Kobra, com seus murais tridimencionais. Zezao, marcando suas intervenções pelos esgotos da Zona Norte, de São Paulo, a dupla de irmãos conhecida como "#osgemeos", que ganhou reconhecimento com as paredes do Cambuci. Além de outros diversos grafiteiros, reconhecidos ou não, que colocam um pouco mais de cor na cidade cinza que não pára. #Doria