Um fato no mínimo preocupante ocorreu com Eugenia Kaledin, ex-mulher de Arthur Kaledin professor de história do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, falecido no final de novembro 2016, aos 86 anos.

Desde a juventude, Arthur pegava livro após livro e os guardava com carinho. Eugênia conta que há várias histórias em volta dos seus livros, centenas de #Livros que não só contam histórias, mas são a história de uma vida.

Após a morte de Arthur, além do fato de terem que lidar com a perda e todas as outras obrigações que surgem quando alguém morre, a família dos Kaledins enfrenta um enigma crescente em tempos modernos.

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É uma situação em que muitos familiares de bibliófilos (amantes ou aficionados por livros) estão enfrentando cada vez mais.

A internet tornou os livros uma referência inútil para os dias atuais, e as bibliotecas estão sofrendo cortes orçamentários. Esses são apenas alguns dos grandes problemas.

É muito mais difícil hoje encontrar um lar para coleções de livros. O que acontece com os livros quando seu dono morre?

Os Kaledins tiveram que encontrar uma resposta. "É perturbador para mim", disse Jonathan Kaledin sobre a ideia de que a coleção de livros do seu pai se dividiria para encontrar um lar. Livros são memórias - e, no caso dos Kaledins, são o legado de Arthur. "Esta não é a coleção de um ignorante", disse Eugenia Kaledin em uma entrevista recente na casa de repouso de Lexington, onde mora.

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"Esta é a coleção de um homem distinto."

É difícil estimar o valor do livro de alguém. É que para as famílias, raramente é dinheiro. Ken Gloss, dono da Brattle Book Shop disse: "Quando os livros saem, parte da pessoa vai embora também."

Quando Eugenia pensa nos livros do seu ex-marido, em sua mente vem lembranças de lugares, viagens pelo mundo. Como a cópia de "The Bhagavad Gita" que compraram juntos para uma aula sobre a Índia em Harvard, em 1950.

Eugenia diz que Arthur provavelmente não percebia que estava colecionando livros. Ele tinha clássicos da história americana. Publicou também uma biografia do diplomata e cientista político francês Alexis de Tocqueville em 2011.

Se desfazer dos livros também se tornou um conflito familiar. Os três filhos de Eugenia estão envolvidos, mas nem todos concordam com o que se deve fazer sobre os livros. Jonathan, por exemplo, gostaria que a coleção inteira permanecesse junta. "Eu sei que ele teria adorado ver a coleção intacta", disse Jonathan, que também é um advogado ambientalista.

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Eugenia disse que Gloss, da Brattle Book Shop, não estava interessado na coleção. Também não teve sorte na biblioteca da Universidade de Massachusetts, em Boston. A proprietária Aladdine Joroff da loja Barrow, em Concord, e sua irmã visitaram o porão apertado do prédio onde as mais de 220 caixas de Arthur Kaledin estavam.

Ele tinha tudo sobre a poesia de Wallace Stevens e até um livro chamado "A Alegria da Matemática". Enfim, Joroff comprou pelo menos 40 caixas, cerca de 600 livros que estão à venda na loja em Concord.

Eugenia visitou a loja recentemente para ver os livros do ex-marido nas prateleiras. Ela ficou contente por ter encontrado um lugar para os livros.

Jennifer Herbert, diretora operacional da More Than Words, disse que "há muitas pessoas ainda que querem seus livros na mão." #Internet #Cultura