Civilização é mais do que um livro de #História - é uma ousada tentativa de condensar, em meras 500 e poucas páginas, um apanhado geral da humanidade e de como ela se encaminhou ao momento atual.

Acrescentando aos fatos pontos de vista próprios, Roger Osborne conduz leitoras e leitores a uma viagem pelo passado - viagem essa que, como em muitos #Livros de história, se limita a uma parte da Europa e aos Estados Unidos, sendo outros países, como por exemplo o Brasil, mencionados apenas quando o contexto exige.

Mas, dado o reflexo que essa história teve e tem a nível mundial e na formação do nosso país, Civilização é um livro que não apenas merece ser lido como deveria fazer parte de toda biblioteca que se preze.

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Osborne enfatiza o contexto cultural por trás de importantes mudanças na sociedade, e mostra que todo salto positivo teve uma contraparte negativa.

Dividido em 18 capítulos, o livro começa na Pré-História com as sociedades ágrafas, passa pelo surgimento da escrita e das escolas de pensamento, a influência da religião no modelo de vida da sociedade, as principais revoluções, a militarização dos estados, guerras, e termina na globalização.

E, acompanhando Osborne, vemos, para citar um exemplo, a Renascença perder seu caráter místico. Uma das características do período foi a elevação dos artistas à condição de Mestres, junto com o caráter civilizatório que a Arte passou a representar na vida das pessoas. Mas foi também nessa mesma Renascença que a Arte se afastou do povo, transformando- se em privilégio nas mansões das elites.

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Os pontos negativos dessa história geral são muitos e variados: percebemos como o estudo foi, desde sempre, privilégio das elites, tornando-se mais acessível à população apenas e na medida em que o mercado de trabalho precisava de mão de obra mais qualificada.

Osborne, ousado, também explora o contexto cultural e social reflexo de mudanças sociais que levou as pessoas a aceitarem os ideais do comunismo, do fascismo e do nazismo.

Outro ponto explorado pelo autor esmiúça como os Estados Unidos viraram sinônimo de "lugar de vida melhor" e como chegaram à liderança mundial, além de examinar o conceito corporativista de "viver pela empresa", também surgido lá.

Por tudo isso, podemos pensar no título Civilização como ironia do autor. Osborne explica que se inspirou numa frase do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, dita ao Congresso após o 11 de setembro: "Esta é uma luta da civilização". A história se repete.

Civilização. Roger Osborne. Trad. Pedro Jorgensen. Editora Difel. 560 págs. R$ 79,90. #Literatura