Uma das lendas do jazz das décadas de 50, 60 e 70, o pianista norte-americano Horace Parlan morreu no último dia 23, em Korsør (Dinamarca), aos 86 anos. Desde 1972, Parlan morava na Dinamarca, para onde se mudou devido ao “escancaramento do racismo nos Estados Unidos”, segundo suas próprias palavras. O pianista gravou sete discos memoráveis para a #Blue Note, entre 1960 e 63, integrando também algumas das sessões mais importantes do selo, ao lado dos saxofonistas Lou Donaldson, Dexter Gordon e Stanley Turrentine. Como sideman, participou de dois dos mais cultuados álbuns do contrabaixista Charles Mingus, “Blues & Roots”, lançado pela gravadora Atlantic, e “Mingus Ah Um”, lançado pela Columbia, ambos de 1959.

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A exemplo de outros jazzistas norte-americanos, que se exilaram na Europa durante os anos 70, Parlan gravou quase duas dezenas de discos pela SteepleChase Records, selo dinamarquês que abrigou outros artistas expatriados como Chet Baker, Jackie McLean, Kenny Drew, Johnny Griffin, Bem Webster, Duke Jordan, Lee Konitz, o próprio Dexter Gordon, Andrew Hill, Clifford Jordan, Nat Adderley, Cedar Walton, Sheila Jordan e Shirley Horn. Nesta fase, que durou de 1974 a 85, o pianista se juntou ao saxofonista Archie Sheep para gravar dois álbuns intimistas, “Goin' Home”, de 1977, e “Trouble in Mind”, de 80, com “standards” do blues e spirituals.

Horace Parlan se notabilizou pelo estilo muito particular, fruto de sua adaptação a uma deficiência na mão direita, causada pela poliomielite, ainda na infância.

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“Tive que me virar para inverter as mãos, na hora dos solos. Não foi fácil, mas encontrei um groove só meu”, disse o músico, em entrevista à revista “JazzTimes”, no ano 2000.

Estreia

Parlan nasceu em Pittsburgh, no Estados norte-americano da Pensilvânia, e foi adotado quando tinha poucas semanas de vida. Sua iniciação ao piano, com apenas sete anos de idade, aconteceu como terapia ocupacional contra as sequelas da pólio. Ele chegou a cursar Direito, mas abandonou a faculdade no terceiro período para se dedicar exclusivamente à #Música. Com 21 anos, já se apresentava regularmente no circuito #Jazzístico da cidade. Sua estreia na indústria fonográfica aconteceu em 1957, no disco “A Modern Jazz Symposium of Music and Poetry”, integrando um sexteto formado por Mingus.

Parlan foi um dos medalhões do ‘hard bop’, na Blue Note. Sua primeira gravação para o selo foi ao lado de Lou Donaldson e Blue Mitchell, em 1959, mas foi com um seu próprio trio, acompanhado dos contrabaixistas Sam Jones e George Tucker, além do baterista Al Harewood, que ele lançou três verdadeiros clássicos: “Movin' & Groovin'”, “Us Three” e “Headin' South”, gravados entre fevereiro e dezembro de 1960.

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Apesar de seus atributos técnicos e de seu protagonismo, no auge do ‘hard bop’, Parlan foi taxativamente esquecido pelos norte-americanos tão logo se mudou para a Europa. Ele morreu em uma clínica de repouso, pouco tempo depois de sua esposa, Norma. No ano 2000, o diretor Don McGlynn lançou “Horace Parlan por Horace Parlan”, documentário produzido por Celia Mingus Zaentz, viúva de Charles Mingus, que traz depoimentos do pianista e performances minimalistas de suas composições, ao lado do contrabaixista Jimmi Pedersen. “Tive a sorte de tocar com excelentes músicos, de estilos e personalidades diferentes. Minha obra é, apenas, a combinação de tudo o que aprendi com eles”, diz Parlan no filme de McGlynn.

Mais um dos bons que seu foi...